Taipa de mão ou pau-a-pique

Autor: 
Fernando Bussoloti

A técnica da taipa de mão, também conhecida como pau-a-pique, barro armado, taipa de sopapo ou taipa de sebe, consiste em armar uma estrutura de ripas de madeira ou bambu com uma mistura de barro.

É uma técnica simples de construção, muitas vezes tratada com preconceito pela aparência rústica. No Brasil, foi trazida pelos portugueses e, desde então, é muito utilizada no meio rural, no sertão central e nordestino.


Uma boa construção de taipa de mão conta com uma base sólida de pedras ou concreto para proteger as paredes da umidade. Mas neste caso, para a fundação das paredes é necessário enterrar as ripas à mais ou menos 30 cm no chão.

É necessário primeiro demarcar a área da construção, onde estarão os cantos e fixar nas quinas as maiores peças (geralmente troncos de madeira).

Ideal é utilizar uma fundação com pedras ou concreto, mas nesta técnica, como é necessário fixar as paredes ao chão, com pouco material geralmente as construções são levantadas apenas utilizando o solo batido com um pilão.

Uma boa fundação para construção com taipa exige vigas baldrames que possam além de receber as cargas, soerguer a casa, ao mesmo tempo em que servem de base para as paredes. Neste caso, as vigas estão enterradas até a metade no solo, o restante mais ou menos 50 cm, fica para cima. Nesta face, as vigas possuem calhas de 30 cm de profundidade, onde receberão as paredes.


As ripas na taipa de pilão servem como amarração para formar as paredes. Elas devem ser presas vertical e horizontalmente entre si, para formar uma tela com aberturas quadrangulares de mais ou menos 10 cm. Estas telas devem ser fixadas aos pilares de canto, de centro, às vigas e serem apoiadas na calha das vigas baldrames.

Para amarrar a tela, pode-se utilizar corda ou pregos para prender as ripas. Estando todas as telas fixadas, a calha deve ser coberta pela mesma mistura de barro a ser utilizada para vedação das paredes.

Para finalizar a fundação, as quinas devem ser concretadas.

Este é um tipo de fundação especial para taipa de mão, pois protege as paredes da umidade do solo.

Normalmente, as casas de taipa de mão utilizam pouco material. Muitas vezes, as pessoas que as constroem não têm possibilidade de empregar cimento.

Neste caso, apenas cavam-se as calhas ( ou valas) e estruturam as paredes e pilares diretamente no chão.

Diferentemente das outras técnicas de construção com barro, com a taipa de mão, as aberturas de janelas e portas são feitas depois que a estrutura da parede está pronta.

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A­s paredes feitas com taipa de mão tendem a ser p­ouco resistentes à compressão, por isso, na hora de cobrir a construção, deve-se escolher materiais leves para o telhado.

Geralmente são escolhidos materiais que se encontram próximo ao local da obra como palha de coqueiro, palha de barnaúba, sisal, palha de buriti etc. Para este tipo de cobertura são usadas as palhas verdes, tratadas com algum tipo de defensivo para proteger de insetos e fungos.

Telhas cerâmicas comum e onduladas podem ser utilizadas, mas devem tomar cuidado com o excesso de peso e a quantidade do madeiramento.

Seja qual for o telhado, é imprescindível que tenha entre 50 cm ou mais de beiral, para proteger a construção da água da chuva.

A última etapa da construção com taipa de mão é o preenchimento das telas com a mistura de barro. Este processo se chama barreamento.

Normalmente são feitos três barreamentos. O primeiro usa uma quantidade maior de barro, pois é necessário cobrir todos os espaços vazios. É fundamental que o barro fique bem compacto entre as ripas e cubra todas as peças de madeira. As madeiras desprotegidas ficam a mercê de ataques de cupins e a deterioração.

Esta etapa é a mais importante, pois ao menor sinal de espaços sem barro, este quando seca tende a despedaçar, criando buracos na parede.

A construção não deve conter nenhum buraco, espaços vazios entre as paredes com o telhado, entre os cantos com o chão, não deve ter trincas ou rachaduras, pois insetos e pequenos roedores costumam se alojar nestes lugares. Uma vez instalados esses animais costumam comprometer por dentro a integridade da estrutura, se alimentado e aumentando os buracos. Fora isso prejudicam a salubridade dos ambientes trazendo doenças para os residentes. Um dos insetos mais perigosos nesses casos é o barbeiro que provoca a doença de Chagas.

De três a quatro semanas é feito o segundo barreamento. Quando o barro seca, normalmente ele começa apresentar trincas, por isso a casa deve receber uma nova demão. Desta vez, usa-se menos material, é fundamental cobrir todas as trincas e, com uma espátula, deixar todas as faces lisas para receber o próximo acabamento.

Depois de um mês é feito o último barreamento. Este, por sua vez, deve ser feito com uma mistura mais úmida de barro e cal. Normalmente passa o barro nas paredes alisando com a mão e deixando as faces novamente lisas.

Por fim, depois de seca a última demão, pode-se pintar a casa por dentro e por fora para garantir melhor proteção nas paredes.
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