Após a independência do Brasil, o isolamento da região amazônica continuou o que
fez com que boa parte das decisões do governo imperial não fosse
acatada. Para reverter a situação, foi nomeado presidente do Pará,
Bernardo Lobo de Souza, que, afim de impor seu poder, acabou fazendo uso
da repressão. O tiro acabou saindo pela culatra. Em 1835, parte da
elite local e representantes das camadas populares mataram Lobo de
Souza, ocupando Belém. Os líderes do movimento vinham das mais
diferentes classes sociais como o fazendeiro José Malcher, o cônego
Batista Campos, Eduardo Angelim ou os irmãos Francisco, Manuel e
Antonio Vinagre, os quatro últimos vindos das classes populares. O nome
Cabanagem vem das cabanas, casas de palha comuns em toda região. |
Depois da tensão pós-independência, o isolamento da Amazônia continuou por mais alguns anos. A região começou a chamar a atenção do Brasil e do mundo a partir da segunda metade do século 19, quando a demanda por borracha nos países industriais criou o principal ciclo econômico para a formação da região: o ciclo da borracha.
Extraída das seringueiras, a borracha foi responsável por uma riqueza nunca vista antes na região. Belém foi a primeira cidade brasileira a ter luz elétrica nas ruas. Os monumentais teatros da Paz (em Belém) e Amazonas (em Manaus) foram construídos nessa época, com matérias-primas como mármore trazidos em longas viagens da Europa. Aliás, as mulheres dos “barões da borracha” (muitos deles estrangeiros) mandavam lavar suas roupas em Paris.
A existência dessa elite econômica, no entanto, só foi possível graças a um sistema de exploração extremamente injusto. Enquanto companhias européias de balé e ópera aportavam em Belém e Manaus, milhares de nordestinos (principalmente cearenses) e índios eram levados para os rincões da Amazônia como os confins do Acre ou região do Tapajós para extrair a borracha. Submetidos ao regime de aviamento, os “soldados da borracha” eram proibidos de cultivar sua própria horta, pagavam pela moradia e pelos equipamentos da extração e, muitas vezes, eram enganados na pesagem do látex.
O ciclo da borracha teve fim por dois motivos na Amazônia. Originária do Brasil, a seringueira foi levada por ingleses para o sul da Ásia, onde teve uma excelente adaptação e um agressivo investimento. Ao mesmo tempo, a indústria automobilística (principal comprador da matéria-prima) ampliou as pesquisas para a criação do látex sintético.
Com fim do ciclo da borracha nas primeiras décadas do século 20, a região voltou ao isolamento econômico. Na tentativa de reverter a situação, foram adotadas algumas medidas.
Em 1953, no segundo mandato do presidente Getúlio Vargas, surgiu o termo Amazônia Legal. Naquele ano , Vargas assinou a lei 1806 que incorporou parte dos estados do Maranhão, Goiás (atualmente Tocantins) e Mato Grosso como parte da região.
Assim, hoje, a Amazônia Legal conta com nove estados: Amazonas, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia, Acre e partes do Maranhão, Mato Grosso e Tocantins, representando 55% do território brasileiro. Sua definição é mais política que geográfica, já que alguns desses estados (principalmente os três últimos) não necessariamente fazem parte do bioma amazônico.
![]() Mapa Político Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia) |
Entre os grandes projetos de ocupação da região do governo militar, foi criada a Zona Franca de Manaus em 1967. Inicialmente, o projeto tinha duas vertentes criar um pólo industrial no Estado do Amazonas e lançar uma zona de comércio livre de impostos. Esta última etapa vigorou até a abertura do mercado no governo Collor de Mello, no início dos anos 90. Já o distrito industrial permaneceu e é essencial atualmente para a economia do Estado. São 486 empresas instaladas no Pólo Industrial de Manaus (PIM) que faturaram US$ 23 bilhões em 2006, emprega de forma direta cerca de 100 mil pessoas, possui média de nacionalização de 52%. Com a abertura da economia brasileira dos anos 1990, as empresas do Distrito Industrial de Manaus se modernizaram e se tornaram competitivas, conseguindo benchmarking em motocicletas, telefones celulares, produtos ópticos etc. Sua existência e sobrevivência só foi possível graças a uma série de incentivos fiscais como isenção dos impostos de importação e redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Os críticos do sistema dizem que os incentivos e a localização criam uma economia extremamente artificial e eternamente dependente de incentivos fiscais, além dos problemas de logísticas inerentes a um sistema indústria que não conta com rodovias ou ferrovias, apenas barcos e aviões, em plena selva amazônica. Os defensores dizem que, além de dar oportunidade econômica para um Estado pobre como o Amazonas, a zona franca de Manaus ajudou a evitar o desmatamento no Amazonas já que a população em geral tem outras opções de renda. |