Degradação da floresta
 Veja o ritmo de desmatamento na região Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia)
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O desmatamento na Amazônia começou a ser monitorado via satélite a partir de 1988 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Atualmente, os índices são medidos por dois sistemas: o Prodes (Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia) e Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real).
Pacote emergencial Depois do anúncio de um novo aumento do desmatamento na Amazônia, o governo federal anunciou, em 24 de janeiro de 2008, um pacote de medidas para amenizar o problema. Entre elas, estão:
- Embargo de propriedades rurais nos 36 municípios com maior incidência de desmatamento
- Suspensão do financiamento para atividades que causem desmatamento
- Recadastramento de todas as propriedades nos municípios mais desmatados.
- Realização de ações conjuntos da Polícia Federal, o Ibama, Incra e os Ministérios do Meio Ambiente, da Defesa, da Agricultura, da Justiça e do Desenvolvimento Agrário.
Os principais críticos ao pacote dizem que ele é emergencial e deveria haver um trabalho permanente de fiscalização. Além disso, o recadastramento das terras já foi tentado algumas vezes sem sucesso. |
Por ano, são desmatados, em média, cerca de 21 mil quilômetros da floresta no Brasil, o que significa dizer que a Amazônia perde o equivalente a um Estado de Sergipe anualmente. De 2004 até metade de 2007, houve uma queda acentuada nos índices de desmatamento, chegando a 14 mil quilômetros quadrados entre agosto de 2005 e julho de 2006. De agosto de 2006 a julho de 2007, foram desmatados 11,2 mil quilômetros quadrados. A situação, no entanto, começou a se inverter novamente. Nos últimos cinco meses de 2007, o desmatamento foi de 3.233 quilômetros quadrados, um número muito alto principalmente porque nos últimos meses do ano, com as chuvas fortes na região, a derrubada de árvores costuma ser pequena. Mas quais as razões para o desmatamento?
São várias as causas do desmatamento amazônico: aumento populacional, exploração de madeira, pecuária e agricultura extensiva, queimadas, extração mineral e ampliação da infra-estrutura da região.
Vamos tentar entender um pouco da dinâmica do desmatamento ou desflorestamento local. A fronteira sul da Amazônia sofre a pressão econômica e social do desenvolvimento econômico. O sul do Pará, Rondônia e o norte do Mato Grosso formam uma área chamada de
Arco do Desmatamento. Por ali, vem a pressão do
pecuarista e dos grandes agricultores, que vão atrás de terras baratas para seus negócios. Assim, antes de fazer o pasto ou preparar a terra para semear, esses proprietários retiram as árvores. As com interesse mercadológico são vendidas. As outras viram carvão que pode gerar energia elétrica ou ser vendido a preço baixo. Desmatado, é possível plantar ou colocar o gado. Vale lembrar que, por lei, as propriedades rurais na Amazônia Legal devem ter 80% da área preservada. Acontece que a fiscalização nessas áreas é extramente precária, além disso há vários casos de grilagem de terra (anexação ilegal de terras), ou seja, não há um controle efetivo da propriedade rural. Atualmente, o novo pesadelo da floresta amazônica é o cultivo da soja, que necessita de grandes extensões territórios para ser viável economicamente e do preparo do solo com altos índices de calcário.
À exploração agropecuária, junta-se a
exploração madeireira. Segundo a organização não-governamental
Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon), foram extraídos, em 2004, 24,5 milhões de metros cúbicos de madeira em tora em 82 pólos madeireiros. Essas toras geraram 10,8 milhões de metros cúbicos de madeira beneficiada, o que já mostra uma deficiência comum na indústria madeireira brasileira: o alto grau de desperdício durante o processo.
Há vários consumidores desses produtos. Do total de madeira processada, apenas 11% foram comercializados dentro da própria região. As regiões Sul e Sudeste ficaram com 42% do total extraído. As madeiras exportadas representaram 35%. O restante foi vendido para o Nordeste e Centro-Oeste, excetuando o Maranhão e o Mato Grosso.O maior produtor de madeira da região é o Pará com 45% do total, seguido pelo Mato Grosso (33%).
Há duas formas usadas para retirar madeira na região. A mais comum é feita com poucos cuidados com o meio ambiente. Os madeireiros, normalmente, abrem grandes picadas (estradas para o escoamento das toras), formam clarões na mata e cortam a matéria sem se preocupar com o entorno. Há também o
manejo florestal de madeira, que prevê antes de tudo um inventário das espécies prontas para corte (com mais de 30 anos de vida) em determinada área, que só será retomada 30 anos depois. Além disso, há outros cuidados como a retirada dos cipós que evitam o arraste de outras árvores quando uma é cortada.
Assim, é possível pensar que a simples adoção do manejo florestal poderia amenizar o problema. Acontece que o setor madeireiro no Brasil historicamente está vinculado a práticas ilegais. Além de uma parte do setor invadir áreas de preservação como reservas indígenas, é comum a falsificação de documentação. Para se ter uma idéia, em 2002, havia 3.000 planos de manejo florestal na Amazônia. Em 2004, esse número caiu para 1.186. Isso porque, com a instituição da obrigação de um plano de manejo para exploração, muitas empresas produziram projetos que não tinham nada a ver com a verdade. A fiscalização do Ibama detectou inúmeras irregularidades.
Além disso, uma prática comum é “esquentar documento”. Para que madeira seja transportada, é preciso um documento aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Muitas vezes, os documentos registram um tipo de madeira, mas, na verdade, está sendo transportadas outras espécies.
Já as queimadas são comuns tanto entre as grandes fazendas como entre os pequenos proprietários e assentados da reforma agrária. Feita como uma forma barata de limpar o solo para uma nova safra, as queimadas, que também são monitoradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), são perigosas já que são feitas na época da mais seca do ano e, com o vento, pode se proliferar. Em 1998, um grande incêndio, que provavelmente iniciou-se com as queimadas, acabou com 30% da floresta e de áreas cultivadas de Roraima.
Outro movimento que intensifica o desmatamento é o aumento populacional. A última fronteira verde do Brasil traz uma leva de pessoas de outros Estados a procura de melhores oportunidades. Estados como Tocantins crescem incentivando a migração. Historicamente, o próprio governo, principalmente durante a ditadura militar, incentivou a vinda de colonos. Garimpos ilegais atraem uma série de pessoas com futuro incerto. O mais emblemáticos deles foi a área de Serra Pelada, que é vizinha das minas da Companhia Vale do Rio Doce. Cerca de 30 mil pessoas, nos anos 80, transformaram a área em um verdadeiro formigueiro humano atrás de ouro. O que sobrou foi um buraco invadido pelas águas dos lençóis freáticos e um núcleo de pobreza no sul do Pará.
A implantação de infra-estrutura é um fator que incentiva o aumento populacional e a exploração econômica da região e, como conseqüência, aumenta o desmatamento. Um estudo da organização não-governamental Instituto de Pesquisas Ambientais na Amazônia (Ipam) traçou alguns cenários possíveis de acontecerem na Amazônia, a partir da pavimentação da rodovia Cuiabá-Santarém. Pelos cálculos, num espaço de apenas 20 anos, o desmatamento poderia crescer entre 30% e 40%.
Assim, com todos esses fatores, a questão do início do texto continua uma incógnita. A diminuição do desmatamento nos últimos tempos pode ter várias razões. Há quem diga que a fiscalização aumentou e que a criação de mais áreas de conservação contribuiu. Outros justificam que o momento econômico (dólar em baixa, retração do mercado de soja e madeira) foi a principal contribuição. De qualquer modo, fica claro que são vários os fatores para os índices de desmatamento e que soluções em uma ou outra área podem mitigar, mas não trarão uma solução completa para a destruição da floresta.
Uma surpresa
A forte seca que assolou a região amazônica em 2005 acabou tornando mais verdejantes as áreas cobertas por árvores no ano seguinte, segundo uma pesquisa publicada em setembro de 2007 na revista Science.
A constatação foi uma grande surpresa para os pesquisadores que apostavam num processo de savanização da região em um ano de seca como ocorrido. A explicação para o fenômeno é que a floresta foi capaz de aproveitar o aumento da radiação solar decorrente do tempo seco, já que não havia nuvens para bloquear a ação. As árvores também conseguiram aproveitar a água subterrânea localizada até 10 metros abaixo.
Os pesquisadores, no entanto, não descartaram a savanização se a seca continuasse nos anos seguintes.
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