Como se pode imaginar, adicionar ferro aos oceanos (em inglês) poderia causar outras conseqüências, além de reduzir os níveis de dióxido de carbono. Mudar a estrutura da cadeia alimentar com a adição de ferro no oceano e com a criação de fitoplânctons poderia alterar drasticamente as concentrações de outros gases tanto no ar como no mar, anulando potencialmente qualquer efeito positivo da redução de níveis de dióxido de carbono [fonte: Liss (em inglês)].
Por exemplo, segundo algumas projeções de computador, a adição de ferro poderia elevar os níveis de óxido nitroso e metano, dois gases que provocam o efeito estufa [fonte: Haiken]. Segundo o cientista Mark Lawrence, uma grande criação de fitoplânctons produz substâncias químicas chamadas haletos de metila, que causam erosão na camada de ozônio [fonte: Wright (em inglês)].

Os cientistas também não sabem dizer quanto tempo o dióxido de carbono capturado pelos fitoplânctons seria armazenado. Embora o oceano tenha a capacidade de estocar milhões de toneladas de gás por um século ou mais, há um porém: ele deve ser adicionado sob a superfcie se estiver em forma sólida. Mas isso nem sempre acontece.
É muito provável que o dióxido de carbono seja levado de volta à superfície pelas correntes oceânicas e retorne à atmosfera. A maior parte do dióxido de carbono nunca atinge a superfície oceânica. Cerca de 95% do dióxido de carbono permanece em circulação porque é continuamente reciclado através da cadeia alimentar [fonte: Wright (em inglês)]. Depois, os plânctons são ingeridos por outros organismos que simplesmente emitem dióxido de carbono de volta à atmosfera. Assim, ele nunca sai de circulação [fonte: Haiken].
Muitas organizações ambientais também são contra a fertilização oceânica. Quando a companhia Planktos anunciou planos de despejar 100 toneladas de sulfeto de ferro na costa das Ilhas Galápagos (em inglês), o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, o World Wildlife Fund, o Friends of the Earth e o Greenpeace (entre outros) se opuseram. Um grupo até ameaçou interceptar o navio da companhia. A Planktons terminou cancelando seus planos devido ao financiamento limitado e ao direcionamento inadequado, mas os grupos ambientalistas permanecem atentos. O World Wildlife Fund alerta sobre os efeitos negativos potenciais que o método poderia causar.
A fertilização de ferro levanta uma série de questões interessantes. A relação entre o ciclo de dióxido de carbono e os processos marítimos é complexa e até agora a ciência não sabe avaliar os efeitos de sua alteração a longo prazo. A fertilização de ferro seria uma panacéia ou uma caixa de Pandora para o aquecimento global? Apenas o tempo dirá, mas os cientistas têm certeza de que precisam buscar soluções.
Para saber mais sobre aquecimento global e possíveis estratégias de captura de carbono, não deixe de navegar pelos links da página seguinte.