Outros perigos para o Monte Everest

As pessoas que fazem campanhas ambientais e os ativistas dizem que o termo "desenvolvimento" é apenas um eufemismo que esconde como os projetos para construção de estradas, por exemplo, podem destruir a ecologia extremamente frágil do Everest. Um glaciologista disse ao The Times of India que "construir uma estrada é um ataque direto contra a ecologia" [Fonte: Times of India (em inglês)]. Em julho de 2007, o governo chinês começou a construção de uma estrada de 107 quilômetros que leva até o acampamento base do Everest, enquanto os planos para um hotel estavam suspensos (a China ocupa e governa o Tibete desde 1951). Os oficiais chineses disseram que a estrada é importante para o revezamento da tocha olímpica de 2008, que deve incluir uma parada no pico do Everest, mas muitas pessoas temem que este seja apenas o primeiro passo de um completo desenvolvimento da área do Everest, incluindo mineração extensiva.

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O lixo é um grande problema no Monte Everest, principalmente os equipamentos abandonados como cilindros de oxigênio.
Imagem cedida por Binod Joshi/Associated Press
O lixo é um grande problema no Monte Everest, principalmente os equipamentos abandonados - como cilindros de oxigênio. Aqui Appa Sherpa, que escalou o Everest 11 vezes, olha para alguns
cilindros recolhidos pelo governo do Nepal.

Após a conclusão de uma ferrovia que liga a China a Lhasa, capital do Tibete, milhões de chineses visitaram o Tibete. Alguns deles são turistas, enquanto outros são trabalhadores migrantes à procura de emprego em projetos de construção chineses. O fluxo de turistas, com números recordes vindos do ocidente, coloca uma pressão significativa nessa área. A comunidade de Sherpa, que vive próxima do Everest, se tornou bastante dependente da renda advinda do turismo. Uma nova infra-estrutura foi construída para manter a comunidade e os turistas, incluindo restaurantes que servem pratos típicos para os turistas.

O aumento do turismo e de alpinistas perturbou o equilíbrio ambiental da área. A busca por lenha causou um desflorestamento significativo e uma perda de vegetação rara. Como em muitas partes do mundo, as pessoas tiram proveito do meio ambiente para fazer lembrancinhas, usando fósseis, partes de animais selvagens e plantas.

Mas o maior problema pode ser o lixo. Estima-se que mais de 50 mil quilos de lixo foram produzidos no Everest nos últimos 53 anos. Os preparativos para o revezamento da tocha olímpica atraíram milhares de pessoas para a região, aumentando os problemas com lixo e saneamento. Não há instalações para tratamento do lixo ou reciclagem próximas do Everest e todo ano 36,5 milhões de toneladas de água de esgoto vão para o rio Lhasa.

Os perigos para o meio ambiente, economia local e vida humana são bastante devastadores, mas os efeitos podem ser ainda mais trágicos quando se considera que o Monte Everest também é uma parte essencial das culturas do Tibete e do Nepal. Ambas as culturas nomeiam a montanha como se ela fosse uma deusa. A tradição Budista do Tibete considera o Everest um local sagrado e um objeto de orgulho, afeto e reverência. Esta área é repleta de monastérios budistas, alguns dos quais foram invadidos por turistas e suas câmeras fotográficas, reclamam monges locais.

Algumas tentativas para salvar o Everest e a área ao redor dele estão em andamento. Essa área tem sido um parque nacional e uma área considerada Patrimônio da Humanidade por mais de duas décadas. Apanhar lenha é ilegal e o Nepal instituiu programas que visam à diminuição do lixo. Os oficiais tibetanos e o governo chinês estão fazendo tentativas para aumentar a capacidade dos depósitos de lixo de Lhasa.

Pessoas físicas e grupos privados também estão ajudando. Ken Noguchi, um alpinista japonês, recolheu quase 10 toneladas de lixo em cinco viagens ao Everest. A Federação de Montanhismo da Índia já não presta assistência a grupos com mais de 12 pessoas para encorajar excursões menores. O Dia Mundial do Meio Ambiente de 2007, organizado pelas Nações Unidas, se concentra no "gelo derretido" e chama atenção para o derretimento das geleiras (em inglês) do Tibete.

O Monte Everest fica na fronteira entre o Nepal e o Tibete.
O Monte Everest fica na fronteira entre o Nepal e o Tibete (que é governado pela China) e, por isso, depende das tentativas de limpeza e conservação dos dois governos

Apesar dos já visíveis efeitos do aquecimento global e dos desafios que estão por vir, Peter Hillary, Jamling Tenzing e outros ativistas ambientais dizem que ainda há tempo para impedir a completa destruição do ecossistema do Monte Everest e do modo de vida dos tibetanos, mas medidas importantes devem ser tomadas imediatamente.

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