Depois de ter sido criado o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, em abril de 1983, pesquisadores notaram ali a presença de uma das espécies de grandes baleias mais ameaçadas de extinção, a baleia jubarte.
Para o desenvolvimento de pesquisas e o monitoramento desta população, foi criado em 1988 o projeto Baleia Jubarte. Desde aquela época dados científicos importantes para a pesquisa da espécie têm sido obtidos e compilados, como o número da população de baleias cantoras, o registro fotográfico de suas caudas que são como as impressões digitais de cada uma delas, seus hábitos e até um banco de DNA de baleias jubarte desta área que é conhecida como a principal concentração reprodutiva da espécie no Oceano Atlântico Sul Ocidental.
![]() Imagem cedida pelo Instituto Baleia Jubarte |
O Instituto Baleia Jubarte construiu um banco de dados importante para a pesquisa desta espécie. Os levantamentos incluem a identificação fotográfica da cauda das jubartes, com o qual foi formado um catálogo das baleias da região de Abrolhos, constituído atualmente por 500 indivíduos. A partir da identificação individual das baleias, é possível obter informações sobre suas relações sociais, história de vida e movimentos.
Também baseado na foto-identificação foi realizada estimativa do tamanho da população de jubartes que se reproduz no Banco de Abrolhos, informação fundamental para o manejo da espécie na região. Os estudos apontam para um total de aproximadamente mil indivíduos desta população.
Baseado neste levantamento, é possível observar que de 2000 até hoje, as baleias jubarte têm voltado ao litoral norte da Bahia, com o aumento das avistagens. O que criou a necessidade do Instituto estabelecer uma base de trabalho e a realização de cruzeiros de avistagem para o monitoramento e determinação do número de baleias que freqüentam a região.
Patrocinado pela Petrobras, o Instituto Baleia Jubarte iniciou atividades em agosto de 2000 na Praia do Forte (BA). Pesquisadores acreditam que com o crescimento da população, as baleias jubarte voltem a utilizar antigos habitats reprodutivos e povoem novamente uma região da qual foram quase totalmente dizimadas.
Além da presença maciça das baleias nas águas da Bahia (baleia jubarte) e de Santa Catarina (baleia franca), é notável também a chegada de turistas, atraídos pelo espetáculo de observação dos cetáceos. Neste mercado, o turista brasileiro é ainda minoria, com cerca de 40% de participação, e quase sempre estreante.
Uma das mais novas atividades no Instituto Baleia Jubarte é a coleta de material para análise de DNA, que pode ser obtido através de amostras de pele de jubartes vivas ou mortas recentemente. Para a coleta de amostras é utilizada a balestra, instrumento semelhante a um arco-e-flecha medieval, cujo extremo possui uma ponteira adaptada para esta atividade.
Com a balestra, uma pequena quantidade de pele (cerca de 5 cm) é retirada da baleia, sem qualquer prejuízo para o animal. A partir dos dados obtidos, o instituto conseguirá reunir informações a respeito de rotas migratórias, intercâmbio genético entre populações, sexagem dos indíviduos amostrados e outros de fundamental importância para a preservação da espécie.
A contaminação dos oceanos por poluentes químicos também tem sido pesquisada pelo instituto. As baleias são mamíferos aquáticos que estão no topo da cadeia alimentar marinha. Esta característica favorece a acumulação de poluentes em seus tecidos, além de viverem por muitos anos e reservarem energia na forma de gordura, o que forma um reservatório desses elementos no ecossistema marinho.
Esses contaminantes se acumulam na camada de gordura, rins e fígado dos cetáceos e são transferidos através da cadeia alimentar no ecossistema marinho.
Os principais efeitos provocados nesses animais pela contaminação por poluentes como metais pesados, organoclorados e hidrocarbonetos são a destruição do sistema imunológico, alterações endócrinas e do código genético, levando a queda da eficiência reprodutiva, danos ao sistema nervoso, rins e fígado. Além disso, o leite desses animais é muito rico em gordura, e os filhotes já ingerem grandes quantidades de substâncias tóxicas desde o início de suas vidas.
As primeiras amostras de gordura para análise dos níveis de contaminantes químicos nas baleias foram coletadas na temporada de 2002. Estes estudos são importantes para subdisiar a determinação dos fatores que ameaçam a vida e recuperação desses animais que vêm sofrendo com as ações do homem desde a época da caça.
São muitas as atividades de educação ambiental do Instituto Baleia Jubarte nas comunidades do litoral sul da Bahia. O objetivo é estabelecer laços culturais entre a entidade e a população local para que esta conheça a importância da preservação ambiental para a melhora de vida de todos. A disseminação do conhecimento pelo instituto também evita a caça da baleia e o uso de redes de pesca muito grandes, nas quais as jubartes podem se enrolar e morrer.
O programa de informação ambiental começou a existir em Caravelas em 1986, inicialmente voltado para os visitantes do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Com a criação do Instituto Baleia Jubarte, em 1996, o programa de educação e informação ambiental passou a integrar suas atividades e de um grande projeto de conservação para o Complexo dos Abrolhos, o Projeto Abrolhos 2000.
O programa é realizado com patrocínio da Effem e apoio da Petrobras. Em Abrolhos, os primeiros cursos foram endereçados às pessoas diretamente ligadas ao turismo no arquipélago, de proprietários a mestres e marinheiros das embarcações credenciadas pelo Ibama.
Numa segunda etapa, foi desenvolvido um curso para os professores das escolas de ensino básico da sede do município de Caravelas e dos distritos de Ponta de Areia e Barra de Caravelas. Hoje, os alunos são o público-alvo das atividades do programa, despertando os pequenos cidadãos para a sua importância no meio ambiente em que vivem.
As atividades com os alunos incluem palestras, vídeos, teatro de fantoches, exposições, confecção de painéis, pinturas, atividades de respiração e expressão corporal, entre outras.
Para disseminar o conhecimento o instituto tem também programas de estágio. A fim de concorrer a uma vaga de estagiário o aluno envia um e-mail informando a época do ano e o tempo que dispõe para estagiar. Se houver disponibilidade de vagas, o curriculum vitae do aluno será encaminhado.