Introdução

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Existem diversos índices de medição da qualidade da água que são adotados para orientar suas utilizações. O índice de balneabilidade (IB) é utilizado para medir a qualidade da água usada para recreação, seja ela em águas interiores ou oceânicas. Ele traz um importante parâmetro para a aferição da contaminação por bactérias e substâncias tóxicas em ambientes aquáticos utilizados para atividades de recreação, como natação, mergulho e esqui. Nessas prátricas ocorre o contato direto e prolongado do corpo com a água, que pode envolver a ingestão involuntária de quantidades consideráveis de água, levando a contaminação com bactérias e substâncias tóxicas. O índice de balneabilidade foi criado e difundido visando a diminuição desse tipo de contaminação.

Um outro índice, composto por uma medição de diversos parâmetros, é o índice de qualidade da água (IQA), que foi criado nos Estados Unidos na década de 1970 e adotado e adaptado no Brasil no mesmo período. Ele baseia-se na formulação de uma média composta pela medição de parâmetros da água que possuem pesos diferentes na formulação da mesma, sendo ele utilizado para orientar diversos usos.

Dentre os oito parâmetros medidos pelo IQA brasileiro (há variação do número de parâmetros medidos entre os estados), o único utilizado para compor o IB são os coliformes fecais, que são bactérias que sobrevivem dentro do sistema digestivo humano e de outros animais, sendo proliferados junto às fezes.

Os principais fatores que influem no despejo de coliformes fecais em áreas de recreação aquática são a deficiência de sistemas de coleta e tratamento de esgoto ou até mesmo sua própria ausência. Podemos destacar também a existência de córregos contaminados que deságuam na praia formando “línguas de esgoto” e a afluência excessiva turística ao litoral e a balneários interioranos durante a temporada e o final de semana. Em geral, esses problemas estão ligados à ausência de planejamento urbano e à falta de aplicação dos planejamentos existentes, ocorrências muito comuns nos municípios brasileiros que têm o seu crescimento ditado pelo mercado imobiliário e por loteamentos clandestinos.

Litoral santista
Prefeitura de Santos
A cidade de Santos diminuiu seus problemas, melhorando
a coleta de esgoto


As condições do meio físico local também influem no índice de balneabilidade, sendo este dependente da fisiografia das praias, das suas correntes marítimas e das condições das marés (esses três primeiros em balneários litorâneos) e da posição do balneário em relação às fontes poluidoras e da ocorrência e intensidade das chuvas.

Apesar do esgoto doméstico ser a principal fonte de coliformes fecais, esses podem existir também em matérias orgânica, como, por exemplo, em restos arbóreos trazidos por enxurradas e decompostos nos corpos d´água. Outros importantes índices de qualidade da água que são extraídos das medições de IQA, são o índice de qualidade das águas para a proteção da vida aquática (IVA), o índice de qualidade das águas para abastecimento público (IAP) e o índice de estado trófico (IET). O último mede a saturação de nutrientes que são consumidos por microorganismos como as algas, que com proliferação excessiva pode acarretar em contaminações para os banhistas.

É comum ver índices de balneabilidade no jornal, enquanto os demais índices são encontrados nos sites de secretarias e instituições ambientais responsáveis. Hoje, o IB vem sendo aplicado prioritariamente em áreas litorâneas, ao passo que os demais índices são mais usados em águas interioranas. Assim, para o banho seguro em rios, represas e lagos é importante obter uma pesquisa prévia de IB, IQAs ou de outros índices do ponto de banho ou de pontos do rio a montante (de locais mais altos), da onde vem o fluxo das águas do rio e poluições que podem atingir o balneário fluvial. Aqui você pode usar aquela idéia confusa do primeiro paragrafo. Apesar de cada indice ser destinado a uma finalidade, é importante a pesquisa de dados de mais de um índice, pois os parâmetros medidos em um índice podem acarretar em desequilíbrios ecológicos apenas medidos em outro, sendo os seus dados complementares, refletindo a complementariedade sistêmica das dinâmicas naturais. Esse é um procedimento que pode evitar contato com águas contaminadas em balneários aparentemente limpos.

A­ ausência do fornecimento de índices de balneabilidade em águas interiores exclui os diversos usos dos rios interioranos para a recreação, ativivdade muito comum no território brasileiro devido à extensão da nossa rede hidrográfica. Também devido a aplicação prioritária do IB nos litorais, os estados litorâneos são os que costumam fazer a medição do IB, diferentemente da maioria dos estados brasileiros interioranos que normalmente não medem o IB.

É importante lembrar que a pesquisa de índices de qualidade da água no Brasil costuma ser falha, pois o monitoramento feito não cobre totalmente a rede hidrográfica e o litoral, devido a ausência de mais estações de monitoramento de água. Porém, por não necessitar de estações de monitoramento, já que é realizado, na maioria das vezes a partir da coleta de água por uma pessoa, o IB pode ser feito em maior escala. Os seus critérios de divisão são apresentados como os dos demais índices, constituindo-se de uma escala que vai do péssimo ao ótimo, representada em uma legenda de cores. As classes do índice refletem a proporção de coliformes fecais em uma amostra de 100 ml.

Òtima Número de resultados de coliformes termotolerantes menores do que 250 ou E. coli menores do que 200 em 100% do ano.
Boa Número de resultados de coliformes termotolerantes menores do que 1.000 ou E. coli menores do que 800 em 100% do ano, exceto a condição de menores do que 250 e 200 em 100% do ano.
Regular Número de resultados de Coliformes termotolerantes maiores do que 1.000 ou E. coli maiores do que 800 em porcentagem inferior a 50% do ano.
Número de resultados de coliformes termotolerantes maiores do que 1.000 ou E. coli maiores do que 800 em porcentagem igual ou superior a 50% do ano.
Fonte: http://www.cetesb.sp.gov.br/Agua/
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