As compensações de carbono variam significantemente porque são intangíveis: não há um produto. É fácil para os caubóis do carbono - escritórios que não são confiáveis - enganarem consumidores com projetos ruins ou inexistentes, mas com o crescente interesse nas compensações, as organizações comerciais e ambientais estão tentando estabelecer padrões confiáveis para avaliar empresas e projetos. Vários padrões apareceram recentemente: o Voluntary Carbon Standard (VCS), o Gold Standard e o Climate, Community and Biodiversity Standard. Enquanto eles focam em diferentes tipos de compensações, todos os padrões têm o objetivo de organizar a explosão do negócio de compensações de carbono.
![]() Fotógrafo: Lorenzo Puricelli | Agência: Dreamstime Nem todos os projetos de compensação florestais são totalmente confiáveis |
A organização sem fins lucrativos Clean Air-Cool Planet encomendou uma avaliação das empresas de compensação de carbono em dezembro de 2006. O relatório propõe padrões que os consumidores devem considerar antes de comprar os títulos. Uma compensação de qualidade só financia projetos que não seriam possíveis sem um auxílio extra. Eles são chamados de adicionais, porque esses benefícios ambientais deveriam ser feitos em adição ao que já deveria ter sido feito de qualquer forma para amenizar o problema. Uma boa compensação também precisa ter uma linha de referência precisa ou estimada de quanto GEE um projeto em particular compensa ou evita. Uma linha de referência muito alta faz com que os benefícios do projeto impressionem muito mais do que a realidade. As reduções de GEE devem ser precisamente quantificadas e os projetos precisam ter permanência: baixo potencial de liberação de CO2 para a atmosfera num futuro próximo. Os certificados de compensação também precisam ter a propriedade clara e registrada, para que não sejam revendidos várias vezes.
Quando uma empresa avisa os consumidores sobre os riscos associados aos projetos, está agindo com transparência. As empresas de compensação que financiam projetos florestais devem ser especialmente comprometidas com a permanência dos projetos. Leva anos para que as árvores atinjam seu potencial total de crescimento e nem sempre as empresas consideram pragas ou incêndios, por exemplo. A banda inglesa Coldplay comprou 10 mil mangueiras na Índia para lançar um álbum, só pra ver muitas delas morrerem alguns anos depois. Para o próximo álbum, a Coldplay decidiu proteger áreas já reflorestadas no México e no Equador.
Apesar de questões de legitimidade, compensações florestais são populares porque representam melhorias reais e visíveis. As pessoas se sentem mais confortáveis comprando 50 árvores do que separando um tonelada de metano.
O mercado de compensações de carbono continua crescendo, principalmente pela falta ou negligência dos programas regulamentadores de carbono. Não existe um mercado obrigatório de GEE nos Estados Unidos, mas grande parte do mundo desenvolvido apóia o Protocolo de Kyoto, um aditivo ao United Nations Framework Convention on Climate Change (site em inglês). Os Estados Unidos, apesar de serem membros da convenção, não assinaram o Protocolo em 2001.
As compensações de carbono encorajam os indivíduos e empresas a tornarem-se responsáveis por parte da mudança climática do mundo. As compensações não justificam excessos, mas se vistos como ajuda para as pessoas e para o meio ambiente podem ser benéficos. Talvez ainda mais importante, a popularidade das compensações voluntárias poderia ajudar a promover o mercado do carbono ou endossar a criação de taxa de carbono como política pública.
A distribuidora de combustíveis, Ipiranga, lançou o primeiro cartão para neutralização de carbono voltado para o consumidor brasileiro. A empresa, que garante ser a primeira do setor no mundo a oferecer o serviço, disponibiliza um cartão de crédito que quando usado ajuda a neutralizar a emissão de gás carbônico. Para iniciar o projeto a Ipiranga comprou um volume inicial de 5 mil toneladas de créditos de carbono, investindo R$ 6 milhões com a compra dos títulos e a publicidade do projeto. Assim, quando um consumidor encher seu tanque, pagando com o cartão, os litros comprados serão contabilizados e se transformarão em áreas de reflorestamento. Para empresa, a vantagem é a fidelização do cliente. Para o consumidor, uma compra ecologicamente correto. |
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