Como funciona o comércio justo

Autor: 
Celso Monteiro
comércio justo

Você certamente já ouviu alguém dizer que “preço justo é aquele que o cliente se dispõe a pagar”. Muito corriqueira em situações comerciais, trata-se de um jargão de vendas que sugere que os produtos devam ser comercializados pelo preço mais alto possível, no limite da disponibilidade e interesse de seus consumidores.

Quando há margem para negociar com os clientes, até que faz sentido. Não é, no entanto, o que ocorre no âmbito do comércio internacional, marcado pela oferta de produtos superior à demanda e pela alta volatilidade de preços.

Num mercado como este, dominado por grandes corporações, quais são as chances de sucesso de pequenas comunidades produtoras da zona rural da América Latina, África ou Ásia? Algo próximo a zero, obviamente.

Como não têm volume no giro de capital, estes agricultores têm restrições de acesso a crédito, o que os torna frágeis frente à variação dos preços - em um mês paga-se R$ 100,00 por uma quantia de café, no outro paga-se R$ 50,00 pela mesma quantia. São pequenas propriedades e, portanto, não há como se defender com uma produção em larga escala.


A escassez de recursos financeiros, por outro lado, impede a aquisição de novas tecnologias. O acesso à informação destes grupos é baixo, emperrando a organização de cooperativas, que, na maioria das vezes, só ocorre mediante a assessoria de agentes externos - como ONG's, por exemplo.

Os pequenos produtores são presa fácil para atravessadores, que compram seus produtos a preços “injustos”, muitas vezes pagando menos do que o próprio custo de produzi-los. O resultado desta equação é o aumento da pobreza, miséria, violência e degradação ambiental.

É neste contexto que se insere o comércio justo,  que pode ser encarado como uma ferramenta contra os malefícios de um sistema comercial injusto e socialmente excludente. Ao comprar produtos de comércio justo, o consumidor tem a garantia de que está fomentando um cadeia comercial alicerceada em princípios éticos.

Um por todos e todos por um

O comércio justo é um movimento que guarda semelhanças com diversas outras iniciativas de desenvolvimento sustentável. Os princípios e exigências de certificação de comércio justo são, em boa parte, congruentes com a agricultura orgânica. Na Alemanha, por exemplo, compra-se muito café com as duas certificações.

O comércio justo mantém laços com o consumo consciente, movimento que introduz responsabilidade sócio-ambiental no ato de consumo. Um produto de comércio justo é certamente um alvo para consumidores conscientes.

O comércio justo também possui sinergia grande com os Arranjos Produtos Locais (APL’s), concentração de organizações de um mesmo ramo de atividade em um determinado espaço.

Saiba, neste artigo, como funciona o comércio justo, como os pequenos produtores são protegidos por esta “forma alternativa” de comércio e onde encontrar produtos.