Introdução


construções sustentáveis
Construções bioclimáticas, arquitetura sustentável, ecovilas, green buildings, bioconstrução, permacultura, construção ecológica, empreendimentos verdes são temas bastante discutidos hoje, com a preocupação cada vez maior com as questões ambientais. Parecem ter sido inventados há pouco tempo, porém, muito do que permeia tais conceitos vem sendo utilizado pelo ser humano desde os primórdios.

Das primeiras cabanas aos grandes arranha céus, o homem sempre aproveitou o meio a favor de seus ambientes construídos. Hoje, o apelo ecológico é tão forte que, de tanto o homem extorquir a mãe natureza, às vezes nos perguntamos se mesmo trancados em casa, estamos contribuindo para alguma degradação ambiental.

Na verdade, não estamos contribuindo somente em nossas casas, mas em nossos escritórios, hospitais, escolas, cidades, ou seja, em todos os espaços construídos por nós. Mesmo trancado no quarto, o ambiente, a soma de equipamentos, a quantidade de esforço e energia empregados na construção deste, geram ou geraram algum tipo de decréscimo na natureza.

De todas as atividades praticadas pelo ser humano, a construção civil é uma das que mais tem impacto no meio ambiente. No Brasil aproximadamente 40% da extração de recursos naturais têm como destino a indústria da construção. Fora isso, 50% da energia gerada são para abastecer o funcionamento das edificações e 50% dos resíduos sólidos urbanos vêm das construções e de demolições.

Quase toda água que entra em nossas casas, sai sem ser reaproveitada e ainda, levando consigo algum tipo de poluente. Essa água segue o caminho e geralmente acaba indo para os córregos ou rios, isto porque, somente 75% da população brasileira têm coleta de esgoto em casa, e desse número apenas 32% do esgoto recebe tratamento.

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Construções ecologicamente corretas são cada vez mais comuns



Felizmente muitas pessoas, entidades, empresas e governos estão se
organizando para evitar que as construções sejam o pilar de um caos ambiental. Seja divulgando pesquisas e informações, promovendo padrões consistentes e educando, seja desenvolvendo produtos, certificando as construções sustentáveis ou agregando valor econômico ao espaço construído, estas organizações têm dado passos importantes.

Algumas das entidades que contribuem para uma melhora na qualidade de vida das pessoas, promovendo a defesa e preservação do meio ambiente, partindo de um princípio da consciência ecológica e responsabilidade social, são:
  • IDHEA (Instituto para Desenvolvimento da Habitação Ecológica)
  • Fupam (Fundação para a Pesquisa Ambiental)
  • Ipema (Instituto de Permacultura e Eco vilas da Mata Atlântica)
  • Ipec (Instituto de Permacultura do Cerrado)
  • Green Institute
  • ATA (Alternative Technology Association)
Em muitos países é possível encontrar conselhos para o desenvolvimento dos conceitos da construção sustentável, que orientam e discutem os padrões a serem seguido em cada lugar. No caso do Brasil, foi criado recentemente, o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, formado por acadêmicos, pessoas ligadas as áreas social e financeira, construtores e representantes de organizações não-governamentais.

  • CBCS (Conselho Brasileiro da Construção Sustentável)
  • USGBC (United States Green Building Council)
  • CaGBC (Canadá Green Building Council)
  • GBCA (Green Building Council Australia)
  • Japan Sustainable Building Consortium

A certificação para as construções sustentáveis pode ser obtida por meio de algumas entidades que criaram métodos e sistemas de base que estudam e avaliam o impacto de projeto, construção e operação dos edifícios. As mais comuns são:

  • BREEAM (Building Research Establishment Environmental Assessment Method)
  • LEED (Leadership in Energy and Environmental Design)
Ambas possuem métodos simplificados, facilmente formatados para serem utilizados pelo mercado e projetistas e vinculam o desempenho em formas de checklists, na qual a somatória de itens cumpridos elevam a categoria na qual o projeto se encontra. A primeira, britânica, é pioneira e serviu de base para as outras certificadoras. A segunda, de origem norte americana, foi desenvolvida pela ONG United States Green Building Council e é a mais popular, já utilizada em alguns projetos brasileiros.

Muito mais que levar em conta a preservação ambiental, as construções sustentáveis prezam pela salubridade dos ambientes, sendo assim o que é sustentável é saudável, protegendo os seus habitantes das enfermidades que o contexto externo pode trazer para dentro das edificações.

É muito comum nos dias de hoje, principalmente nas grandes cidades, encontrar edifícios mal projetados, subutilizados, com uma série de precariedades, abandonadas e ou mal geridas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu e catalogou como Síndrome do Edifício Enfermo (SEE) aquelas construções que se encontram com baixa e ineficiente dispersão de poluentes, alta umidade, má ventilação, descompensação de temperatura, uma péssima ergonomia e ou algum tipo de contaminação biológica ou química.

A SEE é uma das causas para que 20% da população mundial possuem algum tipo de problemas respiratórios, mal estar, irritações alérgicas nasais e ou oculares.