Técnicas utilizadas
As construções sustentáveis não devem ser pensadas como modelos prontos, mas como um novo sistema para se repensar as construções em um contexto mais amplo, interdisciplinar, sistêmico, que protejam o meio ambiente, intervindo de forma sustentável, deixando às futuras gerações os mesmos recursos que dispomos hoje e, por vezes, recuperando o que já foi perdido.
Já presenciamos racionamentos de água e luz, sabemos que são fatos isolados a determinadas épocas do ano, mas tendem a serem mais comuns se continuarmos consumindo ferozmente e sem necessidades alguns dos recursos naturais do planeta.
Como dito anteriormente, uma construção sustentável prevê algumas diretrizes para o edifício se tornar auto-suficiente. Quanto mais um edifício puder prover sua própria energia, água e tratar seus resíduos estará contribuindo para um contexto de menos desperdício e racionalidade.
Assim algumas técnicas aliadas a novas tecnologias podem ajudar a preencher alguns requisitos de uma arquitetura mais sustentável.
Sensores de presença ou de movimentoAutomação predial e residencial costuma conferir reduções no consumo de energia se bem usados. Um dos aspectos mais viáveis dessa tecnologia são os
sensores de presença, geralmente usados em áreas externas, ligam e desligam luzes quando a alguém no local. Evita que lâmpadas fiquem ligadas horas ou noites inteiras sem necessidade. Muito usadas em frente de portões e guaritas, áreas de lazer, halls de entrada e garagens, os sensores de presença já são utilizados em ambientes internos conectados também aos aparelhos eletrônicos, evitando que estes fiquem ligados por muito tempo sem o real uso de alguém.
Energia solarA energia vinda do sol pode ser aproveitada de várias maneiras em uma construção. É uma fonte inesgotável, porém não constante. Devido alguns fatores climáticos que encobrem o céu, não há como aproveitar integralmente a captação da luz e, nos períodos noturnos, apenas não funciona. Por incrível que pareça a maior produção de energia está instalada nos países de maior latitude. Devido ao alto preço (que começa a ficar mais acessível) e a poucos incentivos, a tecnologia é pouco explorada nos trópicos ou mesmo em localidades próximas ao equador. O Brasil apresenta excelentes condições em quase todo seu território e pouco aproveita deste recurso. Uma maneira de se aproveitar a energia solar em um edifício é fazer com que o sol seja uma fonte para alimentar sistemas de automação, eletro-eletrônicos ou equipamentos de médio uso. Apesar da absorção irregular, estes sistemas de captação contam com baterias e armazenam a energia. Funcionam através de
placas fotovoltaicas, localizadas em algum lugar do edifício onde haja maior incidência da luz solar, geralmente nas partes mais altas (telhados e coberturas).
Como o sistema acima, a energia solar pode ser usada também com grande eficácia no aquecimento da água de um edifício. Estes sistemas são parecidos, têm os mesmos princípios de colocação e absorção, mas neste caso as placas coletoras recebem um fluxo de água, ligadas ao sistema de abastecimento da construção.
Esta tecnologia pode ser usada para compor o sistema de aquecimento de água de condomínios, residências, escolas e clubes, contam com a vantagem de reduzirem o consumo de energia externa e com a desvantagem de necessitarem de grandes áreas livres para serem instaladas. Porém cada vez mais avanços tecnológicos vêm criando placas solares cada vez mais potentes.
Energia eólicaAssim como a solar, a
energia eólica é uma fonte renovável de energia, intermitente, porém irregular. Usada pelo ser humano, desde as primeiras civilizações, a força do vento é usada nas construções de várias maneiras.
Seja para bombeamento de água, acionamento de máquinas e rotores, moinhos e para transformação em energia elétrica, estes sistemas são pouco conhecidos da população em geral.
Em algumas localidades onde há muito vento, algumas empresas já instalam pequenos geradores eólicos em residências e escritórios.
Como a energia solar, a eólica necessita de baterias que armazenem (para dias sem vento) e depois distribuam essa energia para o edifício. Não é suficiente para fornecer toda força que uma casa necessita, mas colabora com redução de gastos na conta da luz.
Reuso da águaHoje a demanda crescente por água, seja nas construções ou para irrigação na agricultura, faz crescer a necessidade por alternativas que poupem mananciais e mantenham os recursos hídricos através de um planejamento do uso racional e eficiente da água.
O reuso da água, ou a chamada nos Estados Unidos:
água cinzenta, compreende uma atividade que abrange a minimização da produção de efluentes, perdas, desperdícios e consumo de água nos edifícios. Utilizando uma água de qualidade inferior como a da chuva faz com que grandes quantidades de água sejam poupadas.
Tratar o esgoto produzido é outra forma consciente de devolver para o meio ambiente uma água mais limpa ou, até mesmo, para reutilizar em usos menos nobres.
- Captação e armazenamento de água da chuva: Aproveitar a água da chuva pode representar uma economia considerável em edifícios residenciais ou comerciais. Por contar com sistemas simples de funcionamento, apenas exigem espaço para armazenar a água. Geralmente as cisternas, (onde é armazenada a água) são instaladas próximas ao sistema de abastecimento do edifício; mas é importante lembrar que a função de reusar a água da chuva não seja orientada ao consumo humano. Esta água é utilizada para irrigar jardins, lavar calçadas e limpar áreas comuns. Eventualmente, pode ser utilizada para descarga em vasos sanitários.
- Mini estação de tratamento da água: Tratar a água usada em sanitários, cozinhas e áreas molhadas em geral pode representar uma grande colaboração ao meio ambiente, pois elimina patógenos que transmitem doenças e impurezas que ao contato com mananciais prejudicam a qualidade destes. Além disto, é perfeitamente possível que uma água tratada em mini-estações sirva para o reuso. Alguns tipos mais elaborados fazem um tratamento mais completo e são capazes de proporcionar uma água potável ao consumo humano.
Existem vários modelos de tratamento de água. Todos exigem certa área para implantação e quando planejadas junto à construção do edifício podem representar uma economia, segundo dados da
ATA (Alternative Technology Association) de até 40% na conta de água.
As mini-estações normalmente tratam a água usando sistemas biológicos, através de reações aeróbicas e anaeróbicas, utilizando microrganismos, minhocas e plantas aquáticas. São usados em alguns casos produtos químicos para o tratamento, mas numa construção sustentável, a utilização destes produtos deve ser evitada com a intenção de não contar com alguns agentes altamente poluidores.
Permeabilização do soloUm enorme problema das grandes cidades é a aridez que encontramos em muitas ruas, calçadas, calçadões, estacionamentos, praças e parques, causada pelo uso excessivo do asfalto e do concreto para cobrir o chão. Tais revestimentos muitas vezes utilizados sem critério impermeabilizam o solo, fazendo, por vezes, que a água demore muito tempo pra infiltrar.
Em uma grande chuva, por exemplo, devido à grande quantidade de água que vem, somado ao enorme acúmulo de lixo encontrado nas ruas, faz com que as bocas de lobos e sumidouros entupam, aliado a isso, um solo impermeável não consegue ter uma boa absorção, o solo não consegue drenar o excedente e no final das contas temos mais uma enchente. Lógico que para uma enchente ocorrer são necessários outros fatores, mas a má impermeabilização contribui muito.
Outro aspecto interessante é que, com menos áreas verdes permeáveis, a temperatura dos grandes centros urbanos tende a ser maior. Árvores, jardins e gramados, além de serem ótimos visualmente, são barreiras naturais para as intempéries, filtram o ar e retêm a poeira.
Ar condicionado “ecológico”Grande campeão de enfermidades, imbatível consumidor de energia e mestre no quesito lançador de gases de efeito estufa, o ar condicionado convencional é muito utilizado nos grandes centros urbanos.
A nova geração de ar condicionados vêem para resolver a maioria desses problemas. Usam sistemas evaporativos de funcionamento, deixam os gases estufa de lado para trabalhar com água, fazendo com que os ambientes sejam menos secos, e assim evitando a maioria dos problemas respiratórios. São mais econômicos e podem representar um ganho de até 80% na conta de energia.
Coberturas verdesAs coberturas verdes, ou
telhados ecológicos, e jardins suspensos existem há muito tempo na história da humanidade. No século 6 A.C. na Babilônia, o uso dessa técnica já era conhecida. No século 19 em Berlim, as casas rurais eram cobertas por uma camada de terra, a fim de evitar incêndios, nessa camada de húmus, a vegetação acabava crescendo e cobrindo os tetos.
Como dito anteriormente, as áreas vegetadas são muito benéficas para as construções e para as pessoas que convivem nelas. Um teto verde é uma excelente forma de se proteger acústica e termicamente uma cobertura. Além disso, esta técnica faz com que a poeira em aspersão no ar seja retida e acabam filtrando a mesma.
As coberturas ainda ajudam a filtrar a água que vem da chuva, auxiliando no reuso desta.
Importante ressaltar que como todas as áreas verdes, uma cobertura desse tipo demanda manutenção adequada, pois, por se tratar de um organismo vivo, esta vegetação cresce e produz um excesso de folhas mortas que por vezes entopem ralos, podem subir nas paredes ou entrar em frestas de janelas e portas.