Contaminantes do solo em herbicidas

A contaminação ambiental causada pelo uso crescente e indiscriminado de agroquímicos, em especial os herbicidas, tem gerado preocupações quanto ao lançamento inadequado desses compostos no ambiente. Sendo os agroquímicos tóxicos ao homem e organismos vivos, devem ser tomadas precauções quanto a sua aplicação e, principalmente, quanto aos resíduos provenientes das mais diversas fontes e à disposição final adequada, sem comprometimento do meio ambiente como um todo e dos solos em particular.

Os herbicidas são os pesticidas mais persistentes no ambiente, ou seja, são degradados mais lentamente que os outros agrotóxicos atuais. O 2-4D e vários outros POPs (poluentes orgânicos persistentes) em geral são exemplos de pesticidas bastante estáveis, e por isso, são encontrados até hoje no ambiente natural.

No Brasil, houve um aumento notável no consumo de agrotóxicos, principalmente dos herbicidas, em razão da expansão da fronteira agrícola e do aumento de terras onde é praticado o plantio direto. Para se ter uma idéia desse aumento, no gráfico 1, está apresentado a evolução vertiginosa do uso de herbicidas na década de 90.

Gráfico


O comportamento do herbicida depende das propriedades físico-químicas e biológicas do solo, bem como de fatores climáticos. Os três processos básicos que podem ocorrer com os pesticidas no solo são retenção, transformação e transporte.

O processo de retenção tende a “segurar” a molécula de herbicida, impedindo-a de se mover. Pode ser reversível ou irreversível e afetar os processos de transformação e transporte do herbicida no ambiente. A transformação refere-se a mudanças na estrutura química das moléculas do herbicida e determina se e por quanto tempo tais moléculas podem permanecer intactas no ambiente . O processo de transporte, determinado pelo movimento das moléculas do herbicida no solo, é fortemente influenciado pela umidade, temperatura, densidade, características físico-químicas do solo e do herbicida. No caso de pesticidas, às vezes, apenas uma pequena porcentagem da quantidade aplicada atinge o objetivo desejado. Grande parte é transportada por ventos, chuvas e é aportada em outros reservatórios, como atmosfera e recursos hídricos.

Para um melhor entendimento da dinâmica do herbicida no ambiente, deve-se também conhecer o mecanismo de ação dos herbicidas na planta. Há diversos grupos com o mecanismo de ação diferentes, sendo que o principal objetivo é interromper ou inibir o metabolismo da planta, o que faz com que a planta diminua seu crescimento e conseqüentemente morra. A seguir estão listados alguns dos principais herbicidas utilizados na agricultura, seus respectivos mecanismos de ação na planta e alternativas menos poluentes para o ambiente.

  • Glifosato – cuja marca comercial é roundup WG, atua diretamente sobre uma enzima na planta chamada de EPSP (enol-piruvil-chiquimato-fosfato) que está ligada a biossíntese de produtos secundários da planta os quais possibilitam a planta armazenar energia. Em relação ao solo, é muito pouco lixiviável (capacidade de se infiltrar nos lençóis freáticos), isto é, apresenta pouca descida no perfil do solo, tendo alta persistência no solo (30 a 90 dias). O tempo para degradar metade da quantidade de herbicida utilizado gira em torno de quase um mês. É um tipo de herbicida que atua no controle total de vegetação sem seletividade de plantas.
  • 2,4D – esse composto tem alta persistência no solo e apresenta grande mobilidade no solo, em outras palavras, quanto mais persistente no solo, mais essa molécula tende a se acumular e não lixiviar, diminuindo assim a contaminação. Esse composto atua diretamente no metabolismo da planta, em específico nos hormônio chamado auxina. Sua marca comercial é Capri.
  • Atrazina – sua marca comercial é Primoleo. Tem elevado persistência nos solos chegando a demorar cerca de sete meses para degradar. É de alta toxicidade, e pode estar presente em alta quantidade no solo. Estes herbicidas atuam em uma etapa do processo fotossintético da planta matando-a por falta de produtos da fotossíntese.
  • Fomesafen - atua na inibição de uma enzima chamada Protox que impede a síntese de clorofila, pigmento responsável pela fotossíntese. Sua marca comercial é Flex.
  • Metsulfuron-methyl – A degradação desse grupo é dependente de temperatura e pH do solo. Em temperaturas mais altas, a degradação é mais rápida. Têm alta persistência grande no solo, chegando até 180 dias. Sua marca comercial é Ally.
  • Chlorimuron-ethyl – cuja marca comercial é Classic é um herbicida seletivo do grupo das sulfoniluréias. Apresenta a propriedade de inibir a enzima denominada de acetolactatosintase (ALS) que se encontra nos cloroplastos das plantas e é fundamental para a fotossíntese. Este composto possui concentração média nos solos devido ao pH, fator que influencia na sorção das partículas do solo. No Brasil, a maioria dos solos tem o pH mais ácido o que facilita e contribui para a contaminação dos solos pelo composto.

Para que ocorra uma diminuição da contaminação dos solos por herbicidas deve-se aplicar o produto corretamente levando-se em conta a dose, a freqüência e a época a ser aplicado. Além disso, o conhecimento sobre as características do herbicida, como também com os métodos naturais de degradação destes no solo são de fundamental importância para a redução considerável da contaminação nos solos. A biorremediação pode ser uma alternativa para diminuir a contaminação provocada pelos herbicidas no solo pois é um método natural e de bastante eficiência que está sendo vastamente estudado e que será abordado com mais ênfase nas próximas páginas.