Contaminantes do solo em pesticidas

Os pesticidas, também conhecidos como agrotóxicos, são defensivos agrícolas de ação tóxica que têm como ingredientes ativos compostos químicos formulados para controlar ou erradicar vetores de doenças animais, vegetais ou humanas, pragas (insetos, fungos, bactérias, ácaros) e ervas daninhas que competem com a cultura a ser comercializada. O seu uso se deve às necessidades de controle de pragas e doenças que atacam culturas de interesse agronômico onde o controle biológico ainda não é comercialmente viável. Este uso deveria ocorrer em condições controladas, isto é, que possibilitassem a produção agrícola e, ao mesmo tempo, mantivessem o ambiente preservado. Na maioria das vezes não é isso que ocorre e após aplicações diretas ou, indiretas (nas culturas), o solo pode ser contaminado não-intencionalmente provocando graves desequilíbrios ambientais e problemas para todos os seres vivos.

A contaminação do ambiente, animais e pessoas por agrotóxicos começou a ser detectada a partir da década de 40 quando o uso de pesticidas tornou-se intensivo. Sabe-se que os pesticidas têm efeitos primários, quando atuam contaminando diretamente a espécie levando muitos indivíduos à morte imediata, e efeitos secundários, quando quebram a cadeia alimentar impossibilitando a manutenção de populações de determinada espécie em uma região.

A figura a seguir ilustra o crescimento do uso de defensivos agrícolas no país, analisado a partir das vendas do ano de 1988 até o ano de 1998. Em dez anos, o consumo mais que dobrou.

Vendas de agrotóxicos no Brasil em Kg
Classe 1988 1991 1994 1998
Inseticidas 256.897 222.007 300.246 581.693
Fungicidas 183.215 147.112 211.080 436.235
Herbicidas 506.224 533.591 775.762 1.368.723
Total 946.336 902.710 1.287.088 2.386.651
Fonte: Adaptado ANDEF, 2002

Os principais pesticidas são os chamados Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), que estão numa lista de 12 substâncias altamente persistentes e tóxicas ao meio. Entre estas substâncias, estão presentes sete pesticidas, além do DDT: o Aldrin, Chlorordane, Dieldrin, Endrin, Heptaclhor, Mirex, Toxaphene. Outros dois são produtos químicos industriais: o Hexachlorobenzene (HCB) - também utilizado como fungicida – e o Polychlorinated Biphenyls (PCBs) – utilizado como óleo isolante em transformadores elétricos. Dois subprodutos que são formados da decomposição química de alguns compostos clorados ou então da fabricação de alguns herbicidas. São as Dioxinas e os Furanos, compostos altamente cancerígenos. Logo abaixo estão listados os principais 12 pesticidas e suas características no meio ambiente.

Tempo de persistência dos 12 POPs no meio ambiente
Retirado do Conselho Internacional da Associação Química (ICCA) documento 7/97 (revisado em 29 de abril1998)
Substância meia vida
no ar
meia vida na água
meia vida no solo meia vida nos sedimentos
DDT 2 dias > 1 ano > 15 anos sem data
Aldrin < 9.1 horas < 590 dias 5 anos sem data
Dieldrin < 40.5 horas > 2 anos > 2 anos sem data
Endrin 1.45 horas > 112 dias até 12 anos -
Chlordane < 51.7 horas > 4 anos 1 ano sem data
Heptachlor sem data < 1 dia 120-240 anos sem data
HCB < 4.3 anos > 100 anos > 2.7 anos -
Mirex sem data > 10 horas > 600 anos > 600 anos
Toxaphene < 5 dias 20 dias 10 anos -
PCBs 3-21 dias > 4.9 dias > 40 dias -

Dioxins
(2,3,7,8-And 1,2,3,4-TCDD)

< 9 dias > 5 dias 10 anos > 1ano
Furans (2,3,7,8) 7 dias > 15.5 dias sem data sem data
Fonte: http://www.worldwildlife.org/toxics/progareas/pop/priority.htm

Devido a sua utilização generalizada no passado e a sua persistência no meio ambiente, os inseticidas organoclorados, inclusive Clordano, Aldrin, Dieldrin, Heptacloro e o DDT e seus metabólitos, são alguns dos contaminantes mais freqüentes do solo nas áreas urbanas. Outros possíveis contaminantes do meio ambiente incluem o arsênico, o mercúrio, o chumbo, o cádmio e os PCBs. Os pesticidas de arsênico foram comumente utilizados na produção de frutas e hortaliças até que foram substituídos pelos organoclorados a partir da Segunda Guerra Mundial. Ainda podem ser encontrados altos índices de poluição por arsênico nos terrenos de alguns jardins e hortas. Também o mercúrio foi utilizado em pesticidas, porém é mais encontrado como contaminante do solo em áreas que foram utilizadas para armazenamento ou disposição final de certos tipos debaterias, pinturas, lâmpadas a vapor e interruptores elétricos. O arseniato de chumbo foi bastante utilizado como pesticida antes da Segunda Guerra e contribuiu para os altos níveis de chumbo verificados nos solos de antigas hortas.

No Brasil, vários dos pesticidas clorados foram proibidos desde 1985. Eles haviam sido banidos desde 1982 no estado do Rio Grande do Sul, por terem sido encontrados resíduos contaminantes destes produtos nas águas potáveis do Rio Guaíba.

O quadro de contaminação por pesticidas, no entanto, pode ser menos negro do que se pintava anteriormente. Em geral, os novos inseticidas tendem a degradar-se com muito mais rapidez. Alguns organofosforados, por exemplo, levam de 3 a 8 dias para alcançarem o tempo de meia-vida, termo usado para o período que a contaminação já não é possível. O grupo mais recente de agrotóxicos presente no mercado é dos piretróides sintéticos.

Para minimizar os impactos ambientais, a aplicação de pesticidas deve sempre ser feita com orientação técnica agronômica, quanto aos cuidados durante a aplicação, dosagem necessária, época e condições climáticas favoráveis (chuvas, temperatura, umidade, evapotranspiração, irradiação solar, velocidade e direção do vento, etc).