Efeitos do desmatamento

Os cientistas vêm encontrando mais e mais conexões entre o desmatamento e o aquecimento global. As emissões de carbono criadas por quatro anos de desmatamento equivalem às emissões de todos os vôos de aviões ao longo da História, até o ano 2025 [fonte: New York Times]. Vamos aplicar lógica simples: árvores absorvem dióxido de carbono. Assim, menos árvores querem dizer mais dióxido de carbono no ar. Mais dióxido de carbono quer dizer efeito-estufa mais intenso, o que resulta em aquecimento global. (Você pode ler mais sobre o efeito-estufa em O que é o efeito-estufa? e sobre o ciclo do carbono, clicando aqui.)

Outra preocupação quanto ao desmatamento é a redução da biodiversidade. As florestas tropicais, supostamente as maiores vítimas de desmatamento, cobrem apenas 7% da superfície do planeta Terra. No entanto, dentro dessa área vivem mais de metade das espécies de plantas e animais da Terra. Algumas dessas espécies só vivem em áreas pequenas e específicas, o que as torna especialmente vulneráveis à extinção. À medida que a paisagem se altera, algumas plantas e animais se tornam simplesmente incapazes de sobreviver. Espécies que variam de pequenas flores a grandes orangotangos estão sob ameaça ou se extinguiram. Os biólogos acreditam que a chave para a cura de muitas doenças está na biologia dessas plantas e animais raros, e que a preservação é crucial [fonte: Lindsey].

Desmatamento
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A erosão e o empobrecimento do solo
são duas conseqüências do desmatamento

A erosão do solo, embora seja um processo natural, se acelera em caso de desmatamento. As árvores e plantas agem como barreira natural que desacelera a queda da água quando esta deixa a terra. As raízes firmam o solo e impedem que a terra solta seja arrastada. A ausência de vegetação faz com que a terra superficial passe por mais erosão. É difícil para as plantas crescer  no solo menos nutritivo que permanece.

Porque as árvores liberam vapor de água na atmosfera, menos árvores significa menos chuva, o que perturba o nível superficial de água. Uma redução no nível superficial de água pode ser devastadora para os agricultores, que não conseguem manter suas safras vivas em terra tão seca [fonte: USA Today].

Por outro lado, o desmatamento pode também causar inundações. A vegetação costeira reduz o impacto das ondas e dos ventos associados às tempestades marinhas. Sem essa vegetação, as aldeias costeiras ficam suscetíveis a inundações destrutivas. O ciclone de 2008 em Mianmar provou esse fato catastroficamente. Os cientistas acreditam que a remoção das florestas em zonas costeiras alagadas, ao longo dos últimos 10 anos, fez com que o ciclone atingisse o país com muito mais força [fonte: Nações Unidas].

O desmatamento também afeta as populações locais, tanto física quanto culturalmente. Porque muitos povos indígenas, na verdade, não têm direito legal sobre as terras que ocupam, os governos que desejem usar as florestas como fonte de lucros podem "despejá-los". Além disso, a ocupação ilegal, que acontece mesmo quando os índios têm as terras demarcadas, acaba diminuindo o habitat tradicional dessas populações. À medida que essas populações deixam a floresta tropical, deixam também sua cultura para trás [fonte: Plotkin].

Na próxima página, descobriremos se os danos do desmatamento são reversíveis e veremos que grupos estão trabalhando para encontrar soluções.

O que aconteceu na Ilha de Páscoa?

Rapa Nui, mais conhecida como Ilha de Páscoa, é um dos mistérios duradouros do planeta. Seus colonizadores polinésios chegaram entre o ano 800 e o 1200. Construíram gigantescas estátuas de pedra em honra de seus ancestrais. As estátuas são obras de arte, com peso de toneladas e altura de quatro metros. Depois de alguns séculos de civilização, eles decidiram abandonar a ilha. Por quê?

A teoria mais comum é o desmatamento. Os moradores da Ilha de Páscoa dependiam de palmeiras gigantescas que cobriam a ilha. Cortaram árvores para fins agrícolas, como lenha e para suas construções. As árvores se esgotaram. Quando os recursos naturais chegaram ao fim, as pessoas também tiveram de partir. Os colonizadores holandeses que chegaram à ilha por volta de 1700 encontraram uma paisagem vazia e estéril.