Armazenamento na planície abissal e as críticas

A planície abissal é uma vasta extensão de oceano que alcança desde as vertentes continentais até as zonas de valas, onde profundos despenhadeiros como o Marianas Trench cortam o solo do oceano. A planície abissal começa a uma profundidade de 4.000 metros. Há pouca ou nenhuma luz para permitir que a fotossíntese aconteça, o que significa que não há plantas vivas. O suprimento de alimentos é feito de plantas mortas e decompostas e matéria animal afundada para o solo do oceano. A população animal ao longo da planície abissal é esparsa e a área é grande e geralmente plana.

Nessa profundidade, a temperatura oscila em torno de 2 ºC e a pressão atmosférica e a pressão exercida pela força da gravidade é de 413,3 kg/cm2 [fonte: University of Hawaii (em inglês)]. É um ambiente muito diferente daquele a que estamos acostumados ao nível do mar, onde a pressão atmosférica era de 1,03 kg/cm2 [fonte: Texas A&M University (em inglês)] e a média da temperatura global era 14.77 ºC em 2005 [fonte: Earth Policy Institute (em inglês)]. Delineando essas condições, a planície abissal é o local ideal para armazenar dióxido de carbono liquefeito.

Dishes from Titanic on ocean floor.
John Chiasson/Liaison
Uma imagem de 1987 da louça do Titanic no solo do oceano. O grande navio está situado em uma planície abissal no Atlântico Norte.

O cientista David Keith propôs que a planície abissal seja o lugar para sacos enormes feitos de polímeros, com cerca de 183 metros de diâmetro para servir como recipientes de armazenamento para o dióxido de carbono líquido. O CO2 seria entregue no oceano através de tubulação, como o óleo cru é entregue nas refinarias. Cada saco poderia conter o equivalente a dois dias das emissões de dióxido de carbono do mundo - 160 milhões de toneladas métricas [fonte: Natural Sciences and Engineering Research Council (em inglês)]. Uma das coisas que tornam a proposta de Keith tão atrativa é que a tecnologia para realizá-la já existe. Atualmente, temos a tecnologia do sistema de entrega de CO2 por tubulação e os sistemas de captura pré e pós-combustão já existem.

Keith falou sobre sua idéia em uma palestra para a American Association for the Advancement of Science em fevereiro de 2008. Se o conceito dele for posto em prática, os sacos de conteúdo gigantes devem evitar danos ao ecossistema oceânico, prevenindo a liberação de grandes quantidades de CO2 no oceano. Keith diz que a flutuação negativa do dióxido de carbono manteria o gás a partir da superfície [fonte: Natural Sciences and Engineering Research Council (em inglês)].

Com a quantidade de espaço de armazenamento necessária para conter as emissões de CO2 do mundo, a planície abissal pode ser apenas um lugar para manter o dióxido de carbono. Depósitos profundos na crosta da Terra são outra possibilidade sendo avaliada, o que faz sentido já que é de onde a maior parte do combustível fóssil que refinamos vem em primeiro lugar.

Pode parecer que armazenar o CO2 é como varrer o problema para baixo do tapete, mas é difícil dizer que tecnologia a humanidade terá à disposição daqui a um ou dois séculos. É possível que se tenha descoberto algum uso para o composto, que não se tenha atualmente e que pode vir a provar no futuro que é uma fonte de energia. Se os teóricos do pico do petróleo estão corretos, teremos descontinuado, em grande parte, o uso de combustíveis fósseis e o ciclo do carbono pode ser capaz de lidar com liberações lentas de CO2 a partir do armazenamento.

Curiosamente, podemos ter também desenvolvido uma maneira de recriar a situação que produziu nossos combustíveis fósseis da primeira vez. Usando a gravidade e o carbono, poderíamos teoricamente sintetizar combustíveis fósseis. Capturando o CO2 emitido e reutilizando como ingrediente nessa síntese, criaríamos um sistema fechado que poderia alcançar as necessidades globais de energia sem afetar de maneira adversa o ciclo do carbono. Para realizar tal sistema com sucesso, precisaríamos de abundância de CO2 no futuro. Se o sistema de sacos de Keith funcionar, o CO2 estará lá esperando.

 

­Críticas

Enquanto alguns cientistas alardeiam a idéia do depósito como uma grande solução, ambientalistas de várias vertentes olham com desconfiança a solução. Entre os motivos para as críticas estão:

  • Não é um método testado com segurança
  • Seriam gastos bilhões de dólares no processo em detrimento à pesquisa para fontes de energia limpa.
  • O método não estaria livre de falhas como fuga do produto tanto no transporte quanto no armazenamento.
  • A proposta resolveria parte do problema (armazeNando de 15% a 50% do gás carbônico), mas não resolveria o problema em si.

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