Organização do Greenpeace

Embora o primeiro protesto do Greenpeace na ilha de Amchitka tivesse um objetivo claro e específico, seus esforços posteriores não contaram com a mesma objetividade. Os membros da organização tinham opiniões diferentes sobre seus objetivos ecológicos. As delegações brigavam por táticas e projetos.

O cientista Paul Spong convenceu alguns membros da delegação de Vancouver a lutar em prol das baleias e a defendê-las dos caçadores. Muitos voluntários foram seduzidos pela causa que acabou definindo o Greenpeace, enquanto outros acreditavam que essa luta era limitada e não tão importante quanto protestar contra os testes nucleares.

Tais desavenças entre os membros do grupo e entre as delegações ameaçavam a solidez do Greenpeace. A organização precisava de um órgão oficial de administração que tivesse um orçamento e uma missão definida. Em 1979, David McTaggart, um dos tripulantes do Vega, fundou o Greenpeace Internacional. Esse foi o começo de uma missão e de um pensamento unificados para a organização.

Uma vitória engenhosa

Em 1995, o Greenpeace conseguiu uma de suas vitórias mais notáveis. A Shell Oil planejava afundar o Spar Brent, um de seus reservatórios de petróleo com capacidade para 14.500 toneladas, localizado no Mar do Norte. Os ativistas escalaram o Spar Brent e enfrentaram ataques de canhão do Reino Unido e da Shell. Embora o Reino Unido tenha assegurado o direito da Shell de afundar o tanque, a empresa acabou cedendo aos protestos e boicotes públicos em toda a Europa e prometeu reciclar a instalação. A ação do Greenpeace contribuiu para a proibição internacional de colocar as plataformas de petróleo no fundo do mar, criando novas formas de exploração.

Brent Spar
David Sims/AFP/Getty Images
Ativistas em cima do Brent Star comemoram a decisão da Shell de reciclar a plataforma

O Greenpeace Internacional (ou Stichting Greenpeace Council) tem sede em Amsterdã. Sua diretoria é responsável pelo orçamento anual da organização e pela eleição e fiscalização do diretor executivo do Greenpeace Internacional. Os diretores são escolhidos pelos representantes das delegações que, por sua vez, são escolhidos pelas diretorias eleitas pelos membros do Greenpeace. A diretoria se dedica aos seis objetivos acima mencionados. Você poderá saber mais sobre eventos recentes, baleias e bombas nucleares através dos links na página seguinte.

A frota do Greenpeace

O Greenpeace deixa sua marca em todo o mundo com sua frota de botes infláveis e diversas embarcações. São quatro os navios que representam a organização.

  • Arctic Sunrise - o navio que se transformou no Arctic Sunrise era, de fato, uma embarcação de caça às focas. O Greenpeace chegou a confrontar o navio por diversas vezes, antes de comprá-lo em 1996. O Arctic Sunrise fez parte da vitória de Brent Spar e foi o primeiro navio a circundar a ilha de James Ross, na Antártica - um feito, aliás, que só foi possível devido ao aquecimento global.
  • Rainbow Warrior - o navio mais famoso do Greenpeace foi batizado em homenagem a uma antiga lenda indígena que profetiza a chegada dos guerreiros do arco-íris que defenderiam a terra destruída pela ganância do homem. O Rainbow Warrior atual foi lançado em 1989 depois que um ato terrorista do governo francês destruiu o navio original. O Rainbow Warrior ajudou a socorrer as pessoas atingidas pelo tsunami no sudeste asiático em 2004.
  • Esperanza - é o maior e menos nocivo navio do Greenpeace, usado para pesquisas e projetos de longo prazo.
  • Argus - o menor navio do Greenpeace, é usado sobretudo para protestar contra a produção, uso e eliminação de produtos tóxicos. A embarcação também conta com instrumentos a bordo para examinar amostras do solo e da água.

 

No Brasil

O Greenpeace chegou no Brasil em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92. Sua primeira ação foi um protesto em Angra dos Reis, quando foram asfixidas 800 cruzes em frente a usina nuclear, lembrando as vítimas do acidente de Chernobyl.
Atualmente, a ONG tem várias frentes de atuação no país. Uma das principais são as ações para a preservação da floresta amazônica. Invadindo madeireiras, bloqueando navios com madeira, o grupo trabalha também pela certificação do manejo florestal de madeira.

A batalha contra os transgênicos também inclui invasões e protestos e ações na Justiça pela obrigação da identificação de produtos com tais sementes.
Na questão da preservação dos oceanos, a ONG propõe a criação do Santuário das Baleias do Atlântico Sul. Quanto à energia nuclear, eles lutam contra a ampliação da usina nuclear de Angra dos Reis.

No Brasil, a ONG tem escritórios em São Paulo, Brasília e Manaus.