Como já foi dito não há um só caminho para a grilagem de terra. Vamos explicar alguns dos modos como esses criminosos esquentam documentação e ganham dinheiro.
Usando documentos antigos
Muitas das fraudes feitas chegam a ser grosseiras. Em alguns casos, os documentos tem informações discrepantes dos limites da propriedade. Em outras são feitas rasuras para mudar nomes ou limites. Há quem apenas coloque um número na frente para transformar os 10 mil hectares, por exemplo, em 110 mil hectares. Outros simplesmente inventam os limites de suas supostas terras e, com a conivência do cartório, registra em um livro de registro de imóveis. |
Usando laranjas e fantasmas
Uma tática para evitar a exposição do
grileiro é usar “laranjas”, pessoas que emprestam seu nome ingenuamente
ou coniventemente para o grileiro. Há também casos de simples nomes
falsos ou “fantasmas”. O cuidado existe porque, por lei, qualquer terra
pública com mais de 2.500 hectares que for transferida para mão de
particulares deve receber aprovação do Congresso Nacional. Como ninguém
quer esse tipo de exposição, o jeito é usar “laranjas” e “fantasmas”
para dividir os hectares.
Depois de feitas algumas dessas falcatruas, é só procurar um cartório para “legalizar” sua terra. Com o documento em mãos, começa a outra fase que é dar credibilidade para o documento. Como? Registrando o documento em outros órgãos públicos como institutos de terras estaduais, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ou Receita Federal. Daí, é só começar a pedir autorização para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e começar a explorar ou usar a terra para vender e assim esquentar a terra. Além disso, muitos deles chegam a conseguir empréstimos em bancos privados e até públicos.
Além de ganhar dinheiro com a madeira ilegal, os grileiros ganham com agropecuária e com a própria venda do imóvel. A organização não-governamental Greenpeace apontou em relatório vários sites que vendiam terras sem documentação fidedigna em 2003. Alguns deles já estão fora do ar.
Como o mundo do crime acaba se encontrando de várias formas, são comuns encontrar, por exemplo, aeroportos clandestinos usados para o tráfico de drogas e armas em terras griladas.