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| queimadas e incêndios florestais | ||
Em apenas alguns segundos, uma fagulha ou mesmo o calor do sol, deflagra um inferno. O incêndio florestal se propaga rapidamente, consumindo a vegetação seca e espessa e quase tudo o mais em seu caminho. O que um dia foi uma floresta, se torna um barril de pólvora virtual de combustível inexplorado. Em uma rajada aparentemente instantânea, o incêndio florestal alcança milhares de acres de terra adjacente, ameaçando as casas e vidas de muitos na vizinhança.
![]() Foto cedida pelo Escritório de Gerenciamento de Terras/John McColgan Em 2000, este incêndio florestal queimou apenas o norte de Sula, Montana. |
Uma média de 5 milhões de acres queima todo ano nos Estados Unidos, causando milhões de dólares em prejuízo. Quando um incêndio começa, ele pode se propagar em uma taxa de até 23km/h, consumindo tudo em seu caminho. À medida que o fogo se espalha por arbustos e árvores, pode adquirir vida própria - encontrando meios de se manter vivo, até mesmo semeando pequenos incêndios, arremessando brasas a quilômetros de distância. Neste artigo, iremos observar os incêndios florestais, explorando como eles nascem, vivem e morrem. Mas atenção, incêndios florestais são diferentes de queimadas, muito comuns no Brasil.
Em um dia quente de verão, qualquer coisa tão pequena quanto uma faísca da roda de um vagão, passando pelo trilho, pode dar início a um enorme incêndio florestal. Algumas vezes, o incêndio ocorre naturalmente, inflamado pelo calor do sol ou pela queda de um raio. Contudo, a maioria dos incêndios florestais é resultado do descuido humano.
![]() Foto cedida pelo Escritório de Gerenciamento de Terras Incêndios, resultantes da ação descuidada do homem, estão cada vez mais freqüentes. |
As causas mais comuns de incêndios florestais incluem:
Há três componentes necessários para que a ignição e combustão ocorram. Um incêndio requer combustível para queimar, ar para fornecer oxigênio e uma fonte de calor para levar o combustível até a temperatura de ignição. Calor, oxigênio e combustível formam o triângulo do fogo. Os bombeiros freqüentemente falam sobre o triângulo do fogo quando estão tentando acabar com um incêndio. A idéia é que se puderem remover um dos pilares do triângulo, eles podem controlar e finalmente extinguir o fogo.
Após ocorrer a combustão e o fogo começar a queimar, há vários fatores que determinam como o fogo se espalha. Esses três fatores incluem combustível, clima e topografia. Dependendo desses fatores, um incêndio pode desaparecer rapidamente ou se transformar em um enorme incêndio que destrói milhares de acres.
Os incêndios florestais se propagam com base no tipo e quantidade de combustível que os cerca. O combustível pode incluir tudo, desde árvores, arbustos e campos de grama seca a casas. A quantidade de material inflamável que cerca um incêndio é mencionada como carga de combustível. A carga de combustível é mensurada pela quantidade de combustível disponível por área unitária, normalmente, toneladas por acre.
![]() Foto cedida pelo Escritório de Gerenciamento de Terras O combustível é um fator essencial na determinação da intensidade de um incêndio |
Uma carga de combustível pequena fará com que um incêndio queime e se espalhe lentamente, com baixa intensidade. Se houver muito combustível, o incêndio queimará mais intensamente, fazendo com que se espalhe mais rapidamente. Quanto mais rápido ele aquece o material ao redor, mais rápido esses materiais podem entrar em ignição. Quando o combustível está muito seco é consumido muito mais rápido e cria um fogo que é muito mais difícil de conter.
Eis as características básicas que decidem como ele afeta um incêndio:
Pequenos materiais combustíveis, também chamados combustíveis instantâneos, como grama seca, folhas de pinheiro, folhas secas, galhos e outros arbustos secos, queimam mais rápido que troncos grandes ou pedaços de troncos. Por essa razão um incêndio começa com gravetos de madeira ou troncos. Em nível químico, diferentes materiais combustíveis levam mais tempo para entrar em ignição que outros. Mas em um incêndio florestal, onde a maioria do combustível é feito do mesmo tipo de material, a principal variável no tempo de ignição é a razão da área superficial total do combustível em relação a seu volume. Como a área superficial dos galhos não é muito maior que seu volume, ela entra em ignição rapidamente. Por comparação, a área superficial de uma árvore é muito menor que seu volume, então é necessário mais tempo para se aquecer antes de entrar em ignição.
À medida que o fogo progride, ele seca o material próximo dele - o calor e a fumaça que se aproximam de um combustível potencial faz com que a umidade do combustível se evapore. Isso torna o combustível mais fácil de acender quando o fogo finalmente o alcança. Os combustíveis que são de algum modo espaçados também secarão mais rápido que os combustíveis que são empacotados firmemente juntos, pois mais oxigênio está disponível para o combustível diminuído. Mais combustíveis firmemente empacotados também retêm mais umidade, que absorve o calor do fogo.
O clima desempenha um importante papel no nascimento, crescimento e morte de um incêndio florestal. A aridez leva a condições extremamente favoráveis para incêndios florestais e os ventos ajudam o progresso do incêndio florestal - o clima pode estimular o fogo a se mover mais rápido e abranger uma área maior. Ele também pode tornar o trabalho de combate ao fogo ainda mais difícil. Há três ingredientes do clima que podem afetar os incêndios florestais:
Como mencionado antes, a temperatura afeta a formação de fagulhas de incêndios florestais, pois o calor é um dos três pilares do triângulo do fogo. Os galhos, árvores e arbustos no solo recebem calor radiante do sol, que aquece e seca os combustíveis em potencial. As temperaturas mais quentes permitem que os combustíveis acendam e queimem mais rápido, aumentando a taxa na qual o incêndio florestal se propaga. Por esse motivo, os incêndios florestais tendem a aumentar à tarde, quando as temperaturas estão mais quentes.
![]() Foto cedida pelo Escritório de Gerenciamento de Terras Os incêndios florestais podem produzir ventos que são 10 vezes mais fortes que os ventos que os cercam. |
O vento provavelmente tem o maior impacto no comportamento de um incêndio florestal e também é o fator mais imprevisível. Os ventos fornecem ao fogo oxigênio adicional, combustível potencial seco adicional e empurra o fogo através da terra e em um índice mais rápido.
O Dr. Terry Clark, cientista sênior do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (em inglês), desenvolveu um modelo de computador que mostra como o vento se move em pequena escala. Desde 1991, ele esteve convertendo esse modelo para incluir características de incêndio florestal, como combustível e troca de calor entre incêndios e a atmosfera.
"Nós procuramos o que é chamado de dinâmica acoplada da atmosfera do incêndio, onde o fogo e a atmosfera interagem entre si", disse Clark. "Estivemos observando como o fogo interage com o ambiente e obtendo algumas das características da propagação e comportamento do fogo, através da modelagem que estamos fazendo".
A pesquisa de Clark descobriu que o vento não apenas afeta como o fogo se desenvolve, mas que os próprios incêndios podem desenvolver padrões de vento. Quando o fogo cria seus próprios padrões climáticos, estes podem interferir de volta no modo de propagação do fogo. Incêndios florestais grandes e violentos podem gerar ventos chamados redemoinhos de fogo. Os redemoinhos de fogo, parecidos tornados, resultam dos vórtices criados pelo calor do fogo. Quando esses vórtices são inclinados da horizontal para a vertical, você tem redemoinhos de fogo. Os redemoinhos de fogo são conhecidos por arremessar lenha em chamas e detritos incandescentes através de distâncias consideráveis.
"Há outro modo de inclinar a vorticidade. Ou seja, ela pode ser inclinada sem irromper em redemoinhos de fogo e, basicamente, ser disparada em direção ao que é chamado de vórtices em grampo ou rajadas de avanço", disse Clark. "Esses são bem comuns em incêndios de copa (incêndios no topo das árvores) e assim você vê incêndios lambendo os lados das encostas". As rajadas de avanço podem ter 20 m de largura e atingir 100 m a uma velocidade de 161km/h. Essas rajadas deixam uma região destruída e levam à propagação do fogo.
Quanto mais forte o vento sopra, mais rápido o fogo se propaga. O fogo gera ventos próprios que são quase 10 vezes mais rápido que o vento ambiente. Pode até mesmo lançar brasas no ar e criar incêndios adicionais, uma ocorrência chamada de pontilhamento. O vento também pode alterar a direção do fogo e rajadas de vento podem elevar o fogo nas árvores, criando um incêndio de copa.
Enquanto o vento pode ajudar o fogo a se propagar, a umidade trabalha contra o fogo, na forma de umidade e precipitação, pode retardar o fogo e reduzir sua intensidade. Os combustíveis potenciais podem ser difíceis de acender se tiverem altos níveis de umidade, pois a umidade absorve o calor do fogo. Quando a umidade é baixa, o que significa que há baixa quantidade de vapor d'água no ar, os incêndios florestais têm mais probabilidade de começar. Quanto maior a umidade, há menor probabilidade do combustível secar e acender.
Como a umidade pode reduzir as chances de ignição do incêndio florestal, a precipitação tem um impacto direto na prevenção do fogo. Quando o ar começa a ficar saturado com umidade, ele libera a umidade na forma de chuva. A chuva e outras precipitações aumentam a quantidade de umidade nos combustíveis, o que suprime o surgimento de quaisquer incêndios florestais em potencial.
A terceira grande influência no comportamento do incêndio florestal é a disposição da terra ou topografia. Embora permaneça virtualmente inalterada, diferente do combustível e do clima, ela pode ajudar ou prejudicar a progressão do incêndio florestal. O fator mais importante na topografia relacionado ao incêndio florestal é a inclinação.
O fogo normalmente se desloca muito mais rápido na subida que na descida. Quanto mais íngreme a inclinação, mais rápido o fogo se desloca na direção do vento ambiente, que normalmente flui para cima. Além disso, o fogo é capaz de pré-aquecer o combustível próximo da colina pois a fumaça e o calor estão se elevando naquela direção. Inversamente, uma vez que o fogo tenha alcançado o topo de uma colina, ele tem que se esforçar para descer pois não é capaz de pré-aquecer o combustível colina abaixo tão bem quanto colina acima.
![]() Foto cedida pelo Escritório de Gerenciamento de Terras O fogo costuma se deslocar mais rápido nos aclives. Quando chega ao topo de uma colina, os incêndios tendem a se extinguir. |
Dr. Clark diz que os incêndios que se deslocam mais lentamente nos aclives são exceção à regra, mas acontece. Os ventos podem trabalhar contra o fogo que está tentando se mover no aclive.
"Depende de que modo o vento está soprando", ele diz. "Por exemplo, tenho um estudo de caso na Austrália onde o vento estava soprando montanha abaixo, levando fogo para longe da colina até abrangê-la toda.
Além dos danos que os incêndios causam conforme queimam, também pode deixar atrás de si problemas desastrosos, efeitos que podem ser sentidos meses após o fogo se extinguir. Quando o fogo destrói toda a vegetação em uma colina ou montanha, também pode enfraquecer o material orgânico no solo e evitar que a água penetre no solo. Um problema que resulta disso é a extremamente perigosa erosão que pode levar aos fluxos de detritos.
Um exemplo disso ocorreu após um incêndio florestal, em julho de 1994, que queimou cerca de 2 mil acres de floresta e arbustos nos aclives escarpados da Montanha Storm King, perto de Glenwood Springs, Colorado. Dois meses após o incêndio, chuvas pesadas causaram deslizamentos que derramaram toneladas de lama, pedra e outros detritos em um trecho de 4,8km da Interestadual 70, de acordo com o Levantamento Geológico dos Estados Unidos. Esses deslizamentos encobriram 30 carros e arrastou dois para o Rio Colorado.
Enquanto geralmente olhamos os incêndios florestais como sendo destrutivos, muitos incêndios florestais são na verdade benéficos. Alguns incêndios florestais queimam os arbustos de uma floresta, o que pode evitar um incêndio maior que possa resultar se os arbustos puderem se acumular por um longo tempo. Os incêndios florestais também podem beneficiar o crescimento reduzindo a propagação de doenças, liberando nutrientes de plantas queimadas no solo e encorajando o novo crescimento.