Grupos de trabalho

O IPCC possui um grupo de coordenadores que define a divisão do corpo de cientistas em três grupos.

O primeiro é responsável pelo publicação do primeiro capítulo do AR, que reúne as evidências científicas da relação entre a ação do homem e as mudanças climáticas.

O segundo grupo fica com o segundo capítulo, dedicado às conseqüências das mudanças para o meio ambiente (como a acidificação dos mares, savanização de uma parte da Amazônia e extinção de espécies, entre outros efeitos) e à saúde humana.

O terceiro grupo, por sua vez, produz a terceira parte do relatório, que indica alternativas de combate às mudanças climáticas as adaptações às mesmas.

Até este ponto, o AR é produzido tão somente por cientistas, não passando em nenhum momento pelo crivo político de diplomatas dos países membros.

O quarto e último capítulo do relatório é o mais singular e também o mais impactante deles. É chamado de sumário de recomendações para os tomadores de decisão (em inglês, Summary for Policymakers). Para visualisar este capítulo do relatório de 2007, clique aqui. Trata-se de um documento suscinto, de linguagem acessível a não-cientistas, e reúne as principais conclusões de todo o AR, bem como as sugestões de adoção de políticas públicas.

Este capítulo sim, antes de ser publicado, é revisado pelos diplomatas. Significa que, embora lastreado em pesquisa, há interferência política em seu conteúdo. Um fato curioso que ocorreu na produção do AR4/2007, ilustra bem esta situação.

Os cientistas afirmavam que a “atividade humana é muito possivelmente (“very likely”) responsável pelo aquecimento global”. China e Índia questionaram tal frase e solicitaram que a palavra “muito” (“very”) fosse suprimida da frase. A revisão, no entanto, representaria uma alteração significativa no teor da mesma: muito possivelmente (“very likely”) indica 90% de probabilidade, enquanto possivelmente (“likely”) apenas 66%. A solicitação foi vetada pelos cientistas.

 

­Sob forte pressão

Muitas empresas e governos, sobretudo os mais poluentes, têm receio de que os relatórios do IPCC interfiram significativamente em suas economias. E por isso pressionam fortemente o Painel.
O jornal britânico The Guardian publicou uma reportagem afirmando que o American Enterprise Institute, um instituto de pesquisa ligado à ExxonMobil (empresa petrolífera norte-americana), teria oferecido a quantia de US$ 10 mil a cientistas americanos e britânicos, para que estes contestassem os modelos climáticos adotados pelo IPCC.