Definições e a história do manejo florestal

Simplificadamente, manejo florestal pode ser definido como o uso de práticas de planejamento e princípios de conservação que visam garantir que uma determinada floresta seja capaz de suprir, de forma contínua, um determinado produto ou serviço. O manejo florestal já é previsto por lei, na exploração de florestas amazônicas, desde 1965, através do Código Florestal Brasileiro (Lei 4.771/1965, artigo 15). Entretanto, o decreto que regulamentou o uso do manejo florestal na exploração de florestas na Bacia Amazônica apareceu apenas em 1995 (Decreto 1.282). Uma definição legal moderna de manejo florestal pode ser vista na recentemente sancionada Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei 11.284/2006), em seu artigo 3°, inciso VI: “administração da floresta para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo e considerando-se, cumulativa ou alternativamente, a utilização de múltiplas espécies madeireiras, de múltiplos produtos e subprodutos não madeireiros, bem como a utilização de outros bens e serviços de natureza florestal”.

A história do manejo florestal está intimamente ligada à história da silvicultura e do desenvolvimento formal da ciência florestal. Embora o manejo de florestas tenha se iniciado há vários séculos na China, foi na Europa, principalmente Alemanha, onde os primeiros experimentos silviculturais foram desenvolvidos para determinar qual a produção máxima que as florestas temperadas da região poderiam suportar em um regime de manejo, no século 19. Foi também na Europa em que as primeiras escolas de ciência e engenharia florestal apareceram. No Brasil, as primeiras escolas específicas da área florestal surgiram no final da década de 1960 e década de 1970. Segundo o Edson Vidal, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queirós da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), na Amazônia, as experiências silviculturais registradas mais antigas datam de 1958, na Estação Experimental de Curuá-Una, Santarém (Pará). Outros experimentos de manejo florestal foram feitos em áreas experimentais nas décadas de 1960-70, liderados por organizações de pesquisa como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (Inpa). As técnicas para realizar a exploração madeireira com o menor impacto sobre a floresta, comumente denominadas de práticas de Exploração de Impacto Reduzido (EIR), continuaram a se desenvolver nas décadas de 1980-1990.