História da Mata Atlântica

Autor: 
Heloisa Ribeiro,Sylvia Estrella


A localização da Mata Atlântica e o modelo econômico implantado desde a época da colonização portuguesa são as maiores causas da degradação da floresta. Por estar exatamente na região das maiores cidades brasileiras, onde se concentram 110 milhões de habitantes, a floresta é alvo direto da pressão sobre seus recursos naturais.

O modelo de ocupação trazido pelos europeus estabeleceu a fixação humana na costa do território brasileiro, ao invés da distribuição equilibrada pelo interior do país. Assim, 62% da população brasileira, responsável por 80% do PIB, encontram-se hoje no domínio do bioma. A pressão do desmatamento sobre a floresta vem de todos os lados. A derrubada da mata se dá para uso de madeira, construção de loteamentos - que vão de condomínios de alto padrão no litoral a favelas em áreas de manancial - entre muitos outros usos. Enquanto isso, a mata vem sendo saqueada para venda de madeiras de lei, palmito e bromélias. Em alguns estados, deu lugar quase que inteiramente a pastagens para o gado e culturas agrícolas.

A destruição da Mata Atlântica está ligada aos sucessivos ciclos econômicos que tomaram conta do país desde 1500. Primeiro, com a extração de árvores como o pau-brasil, até sua quase extinção, passando à derrubada da floresta para o cultivo da cana-de-açúcar, até os plantios de café no Sudeste do País, já no século 20.

Algumas áreas, como a floresta de araucárias no Sul, têm sua situação próxima à extinção. No Paraná, restam apenas 0,8% da área original, segundo levantamento da organização não-governamental The Nature Conservancy do Brasil.

Nas áreas do Nordeste acima do rio São Francisco, o problema é a ocorrência de espécies em apenas um ou dois fragmentos - que seriam literalmente riscadas do mapa caso estas áreas fossem desmatadas. Estão nessa situação, por exemplo, 178 espécies de árvores.
Inversamente ao quadro de devastação, entre 2000 e 2005, houve queda de 71% no ritmo de perda florestal, se comparados os dados com o período de 1995 a 2000. Os levantamentos constam do novo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, produzido pela organização não-governamental SOS Mata Atlântica em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com imagens do satélite, análises de campo e sobrevôos.

Os campeões de desmatamento são os Estados do Paraná e Santa Catarina. Do total desmatado no período, 77% corresponde a áreas nesses Estados. As florestas de araucárias, antes bem preservadas, estão desaparecendo em grandes extensões.