Programas de recuperação de espécies
A caça e pesca predatória levam à extinção de espécies em todas as florestas do planeta, inclusive na Mata Atlântica. A introdução de indivíduos exóticos e, principalmente, a destruição do habitat dos animais, também são causas da extinção, mostrando que a preservação de espécies está diretamente ligada a de seus ambientes.
Mesmo nesse cenário, pesquisadores vêm redescobrindo a presença de animais e plantas considerados extintos na Mata Atlântica. A redescoberta de um
sapinho (
Paratelmatobius gaigeae), de apenas alguns centímetros e considerado extinto desde a década de 1930, é uma dessas surpresas. Pesquisadores do
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) registraram a presença do animal na Estação Ecológica do Bananal - uma “ilha” com 884 hectares de Mata Atlântica cercada por plantações -, que havia sido retratado em pinturas de 1931 por Adolpho Lutz, em imagens que serviram para a descrição científica da espécie em 1938, seguida do desaparecimento do sapo na natureza.
Uma das iniciativas de maior resultado na recuperação de espécies em ecossistemas associados à Mata Atlântica foi o
projeto Tamar de tartarugas marinhas, criado em 1980, por estudantes de Oceanografia da Universidade de Rio Grande e pelo antigo IBDF, atual Instituto Brasileiro de
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Um levantamento feito pelos estudantes na época mostrara que todas as cinco espécies de tartarugas marinhas que usavam o litoral brasileiro para desovar estavam à beira da extinção. O projeto passou, assim, a criar campos de trabalho nos principais pontos de desova das tartarugas, em áreas de Mata Atlântica, para garantir a preservação das espécies. Passados 27 anos, o projeto recuperou definitivamente as tartarugas ameaçadas e, em 2007, serão protegidos e liberados ao mar 8 milhões de filhotes de tartarugas marinhas. Em 1992, a marca era de
1 milhão de filhotes protegidos e lançados ao mar depois de eclodirem os ovos.
Para esse tipo de iniciativa, foi preciso incluir o envolvimento das comunidades litorâneas no trabalho de preservação e educação ambiental. São cerca de 300 pescadores trabalhando para o Tamar em todo o País. Eles são os tartarugueiros, que patrulham as áreas de proteção, fiscalizando os ninhos.