Uso econômico das florestas

O potencial da floresta como produtora de serviços ambientais - pela proteção de nascentes e mananciais, abrigo de diversidade biológica, controle de pragas, entre outros - e como fonte de atividades econômicas está cada vez mais evidente. A Mata Atlântica regula o regime de água de nove das principais bacias hidrográficas brasileiras. Por isso, manejar a floresta de maneira sustentável é garantir o abastecimento de água de 62% da população e o bom funcionamento da economia nacional.

A exploração racional dos recursos da floresta se dá com base no manejo sustentável, onde a capacidade de manejar esses recursos respeita o potencial da natureza em repor seus estoques e manter suas funções ecológicas. Ainda assim, num bioma com somente 7,3% de sua cobertura original, torna-se complexo alcançar a sustentabilidade a partir dos recursos existentes, já insuficientes para atender às necessidades da atual geração.

Por isso, a exploração comercial de madeira nativa na Mata Atlântica é hoje desaconselhada, apesar de haver a possibilidade legal de fazer manejo, pois a prioridade deve ser a conservação da cobertura florestal e de sua capacidade regenerativa para só então se pensar na produção.

Outro uso econômico da mata é a extração, de maneira sustentável, de seus recursos não-madeireiros, como plantas nativas que representam oportunidades de negócio, assim como os remédios que podem ser fabricados a partir de galhos, folhas, raízes, frutos, ou de venenos, como o da jararaca, com o qual são feitos medicamentos como o Captopril - ansiolítico cujo nome foi patenteado por uma multinacional.

Outra maneira de manter a mata preservada são projetos de ecoturismo que atraiam turistas interessados em conhecer a rica biodiversidade e as belezas naturais da Mata Atlântica, ao mesmo tempo que trazem recursos e oportunidades para as populações que vivem na e da floresta. É uma forma de turismo com baixo impacto sobre a região e seus recursos naturais. Envolve comunidades locais, que podem hospedar os turistas em suas casas e prestar serviços como guias, revelando a exuberância da natureza que lhes serve de abrigo. Quando bem planejado e implementado, o ecoturismo também pode ter importante papel na conservação da natureza.

Alguns pólos de ecoturismo na Mata Atlântica, como o projeto de ecoturismo praticado no Ecoparque do Una (BA), dentro de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), são bons exemplos deste tipo de iniciativa.

O pólo Lagamar, criado em 1995 pela Fundação SOS Mata Atlântica, também tem o objetivo de ser uma alternativa de desenvolvimento sustentável aliada ao ecoturismo para os municípios de Cananéia, Iguape, Ilha Comprida e Pariqüera-Açu, ao sul do Estado de São Paulo, na área com a maior parcela contínua de Mata Atlântica.

As comunidades caiçaras desta região conseguiram manter preservados boa parte de seus costumes tradicionais, seja nos cercos de pesca, na culinária ou nas festas típicas. Neste caso, o ecoturismo é uma opção viável para a visitação e o cuidado com a diversidade biológica do Lagamar, que vai das florestas e praias desertas às cachoeiras, ilhas, manguezais e lagunas.

A educação ambiental é outra grande oportunidade para a Mata Atlântica, ao fazer com que indivíduos e comunidades assumam a responsabilidade pela proteção das áreas naturais. No Parque Nacional de Superagüi (PR), programas de educação e de alternativas econômicas para as populações locais, liderados pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), dão a chance de famílias da região permanecerem em suas áreas de origem, evitando alterações no ambiente de animais endêmicos como o mico-leão-de-cara-preta e o papagaio-de-cara-roxa, enquanto valorizam a produção de artesanatos inspirados nas espécies-bandeira de seu meio.