Circos torturam animais

Autor: 
Sylvia Estrella

Elefantes de circo são muito mau tratados
Imagem cedida pela Aila

Os circos usam animais exóticos, como tigres, leões e elefantes como suas principais atrações. Não é possível ensinar os números e truques que eles realizam no picadeiro sem estabelecer uma relação de dor e de medo. Para ficarem amestrados, os animais são surrados, torturados e acorrentados. Além de outros tipos de maus-tratos que sofrem e também, da falta de cuidados veterinários apropriados.

Recentemente, em 10 de julho de 2007, dois tigres siberianos do circo Stankowich morreram, em Campos do Jordão (SP). Os laudos das necrópsias indicam que os animais foram vítimas de uma forte infecção respiratória, provavelmente contraída de gatos domésticos. Estas mortes reacenderam as discussões sobre a utilização de animais para a diversão humana. Os tigres siberianos estão praticamente extintos. Restam menos de mil exemplares no mundo, a maior parte deles em reservas a leste da Rússia.

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Vídeo cedido pela Aila

No circo, os animais são submetidos a tratamentos que causam grande estresse emocional e psicológico, segundo a professora da Universidade de São Paulo Irvênia Prada. Além de, muitas vezes, não terem os cuidados veterinários necessários e acabarem morrendo por causa disto, como ocorreu com os tigres siberianos do circo Stankowich

Associações de proteção aos animais propõem que este divertimento seja feito sem animais. Existem muitos circos famosos, como o Cirque du Soleil, que não usam animais em suas apresentações. Para ver uma lista completa, acesse o site da Associação Nacional para os Direitos dos Animais.

­Zoológicos ou prisões de animais?

O primeiro zoológico do mundo foi criado em Londres, em 1847. Era o auge da expansão colonialista da Inglaterra e o zoológico trazia a idéia de um museu vivo de animais.

A vida em cativeiro é muito dura para os bichos aprisionados. Na natureza, eles estão acostumados a pular, voar, correr e viver em grandes grupos. Enjaulados em um pequeno espaço no zoológico, são privados de companhia, espaço e não podem escolher parceiros com quem acasalar. A vida em cativeiro leva a comportamentos anormais e, muitas vezes, autodestrutivos: as zoocoses, que são doenças psicossomáticas dos animais.

No início de 2004, os bichos do Zoológico de São Paulo (SP), um dos maiores do mundo, visitado por cerca de 1,5 milhão de pessoas anualmente, foram vítimas de um envenenamento em massa que matou 105 animais. O maior número de mortes foi entre os porcos-espinhos.

Esta matança serviu de alerta para sinalizar uma discussão: que papel tem um zoológico? A média mundial de mortes em zoológicos, segundo Paulo Bressan, antigo diretor do Zôo de São Paulo, varia de 15% a 20% ao ano.