Como funciona a polêmica sobre as usinas nucleares

Autor: 
Luís Indriunas

usinas nucleares

O anúncio da retomada da construção da usina nuclear de Angra 3 reacendeu, no Brasil, a polêmica sobre energia nuclear e seus usos. Em julho de 2008, o Ministério do Meio Ambiente liberou a construção da terceira usina nuclear brasileira, mas exigiu uma série de condicionantes. A polêmica, no entanto, não parou e não é exclusividade brasileira. O mundo inteiro discute o assunto, principalmente, na Europa e Estados Unidos, onde estão concentradas a maior parte das usinas.

Aqui no ComoTudoFunciona, vamos mostrar alguns dos principais argumentos prós e contras para que você possa tirar suas próprias conclusões.

Entre os principais porta-vozes dos argumentos contra as usinas nucleares, estão a organização não-governamental Greenpeace e, no caso brasileiro, o físico e ex-ministro de Ciência e Tecnologia, José Goldenberg. Entre os que defendem a construção de usinas, está o fundador do Greenpeace, Patrick Moore, que acabou mudando de opinião nos últimos anos, além de engenheiros e físicos como, no caso brasileiro, o professor Paulo Fernando Frutuoso e Melo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O principal argumento dos contrários às usinas é que não existe uma forma segura de armazenar os rejeitos da produção energética. Isso porque depois de utilizado, o urânio ainda tem uma meia vida que pode ser de bilhões de anos. E, o material nuclear é, notadamente, bem perigoso para a vida humana como é possível ser verificado quando acontecem acidentes em depósitos de sucata como no caso do césio 137 em Goiânia.

Os que defendem as usinas dizem que, até 2017, países desenvolvidos terão depósitos definitivos. Outro argumento forte contra as usinas também tem a ver com segurança e remonta o pesadelo do acidente de Chernobyl, quando milhares de pessoas morreram ou ficaram gravemente doentes após o vazamento durante uma parada de manutenção. Os especialistas não negam que haja perigo, mas os defensores dizem que os planos de emergência são cada vez mais eficientes e eliminam perigos da dimensão do Chernobyl.

Mas o principal argumento dos arautos das usinas tem a ver com o alardeado aquecimento global. As usinas nucleares são praticamente limpas de qualquer emissão de gás poluente como o CO2 ou o metano. Além do mais, diz esse grupo, o mundo tem um enorme estoque de urânio que pode ser usado para esses fins. Eles dizem ainda que tal tecnologia é estratégica economicamente, já que ninguém sabe o futuro das outras matrizes energéticas, sejam os recursos hídricos das hidrelétricas ou combustíveis fósseis. Politicamente para muitos países é interessante conhecer a tecnologia nuclear, mas esse mesmo argumento assusta os inimigos da energia nuclear, já que essa tecnologia pode ser usada para produção de armas atômicas.

Além dessa discussão abrangente, a questão de Angra 3 coloca mais caldo na polêmica. Os que são contra a usina dizem que ela é obsoleta, afinal os equipamentos foram adquiridos pela Alemanha nos anos 80 e não teriam mais aquela eficiência, com o agravante que os alemães teriam desistido de investir nesse tipo de energia, o que poderia causar problemas futuros na manutenção do equipamento. Os defensores dizem que o equipamento não é obsoleto e que, além do Brasil ter ampliado seu know-how sobre o assunto nos últimos anos, a manutenção continuará sendo feita tanto na Alemanha quanto em outros países com conhecimento sobre a tecnologia.

Para facilitar a vida do nosso leitor, o ComoTudoFunciona criou uma tabela com os principais argumentos prós e contras as usinas nucleares.

A favor das usinas nucleares Contra as usinas nucleares
Elas não emitem gases poluentes. Os vazamentos são raros mas podem acontecer, além da necessidade de maior monitoramento.
Há grandes de reservas de urânio que podem ser aproveitadas. Não há uma solução definitiva para os resíduos nucleares.
Elas devem fazer parte do coquetel de uma matriz energética heterogênea. O dinheiro das usinas poderia ser gasto com estudos em energias alternativas como a solar, eólica etc.
Os preços das tarifas são competitivos. Os investimentos são altos e nem sempre com retorno eficiente, além da manutenção ser cara.
As usinas nucleares ocupam pouco espaço em relação a outras usinas como as hidrelétricas. As usinas nucleares, por causa de questões técnicas, devem ser construídas próximas a praias e rios, o que é prejudicial e perigoso para o meio ambiente.
As questões de segurança são cada vez mais monitoradas, padronizadas e têm avançado nos últimos anos. As usinas nucleares, apesar dos avanços, continuam inseguras por causa do material perigoso que usam.
Os países detentores de usinas podem ampliar seus conhecimentos e aplicações da física nuclear. Os países detentores dessas tecnologias podem investir em programas nada pacíficos como a construção de armas nucleares.
Sobre Angra, o Brasil está no rumo certo ao diversificar sua matriz energética. O Brasil não precisa investir nesse tipo de tecnologia, já que tem outras formas de conseguir energia.
Apesar do atraso de Angra, o equipamento da usina não é obsoleto e pode ser melhorado. O equipamento de Angra 3 é obsoleto.

 
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