Impactos para o homem

Entrar em contato com água poluída pode levar ao contágio com doenças de veiculação hídrica, sendo algumas dessas doenças transmitidas através da ingestão de água e de produtos agrícolas regados com água contaminada por coliformes fecais de seres humanos contaminados.

A cólera, a febre tifóide são doenças e a hepatite infecciosa tipo A são exemplos de doenças de contágio fecal-oral adquiridas desta forma. Entre as doenças através do contato da água contaminada com a pele, podem-se destacar a esquistossomose e a leptospirose. Existem ainda doenças que tem na água o habitat natural de vetores de transmissão de doenças, mas que não estão necessariamente ligadas à poluição das águas, como a dengue e a febre amarela.

Ingerir água contaminada por compostos orgânicos sintéticos não biodegradáveis e tóxicos, como os pesticidas agrícolas, detergentes ou metais pesados também pode causar doenças, sendo os efeitos variáveis, de pequenas dores de cabeça até a morte. Dados do Sinitox (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas) demonstram que 17,3% dos casos de intoxicação catalogados nos hospitais brasileiros em 2003 foram gerados por contaminação de pesticidas (não sendo determinada a parcela de contaminação hídrica).

Poluição das águas
Crédito: Luís Indriunas

A poluição das águas pode levar a grandes epidemias e a contaminações em massa, mas também pode acarretar amplos impactos sociais pelo comprometimento do modo de vida de populações ribeirinhas e comunidades de pescadores, que dependem dos corpos d´água para extrativismos diversos.

Podemos utilizar como exemplo o interior do estado de São Paulo, onde era muito comum até os anos 70 a existência de populações que tinham na pesca dos rios da bacia do Paraná a base da sua sobrevivência. Atualmente esse modo de vida foi praticamente inviabilizado, devido, dentre outros motivos, à poluição dos rios. Hoje é muito comum a existência de comunidades de pescadores que vivem da pesca, mas que são comumente afetados por vazamentos de petróleo ou pela poluição originada por esgotos. Em 2000, um grande vazamento de petróleo na baia da Guanabara levou à impossibilidade temporária da atividade pesqueira na região.

A poluição de importantes cursos d´água também agrava a ausência de água nas grandes metrópoles brasileiras, como é o caso da poluição por resíduos industriais e esgoto doméstico no rio Tietê em São Paulo, obrigando a metrópole a ter que procurar fontes de abastecimento em mananciais distantes, alguns a mais de 350 quilômetros de distância da cidade, no estado de Minas Gerais. Para se bombear água de bacias hidrográficas distantes, são necessários enormes gastos, que encarecem o custo final da água, assim como o tratamento necessário à água que é consumida (encarecido proporcionalmente ao nível de poluição da água utilizada).

Muitas medidas podem ser tomadas para se evitar o contágio com águas poluídas como:

  • não beber água mineral, refrigerantes, água e cerveja diretamente de latas e garrafas;
  • ferver a água para cozinhar;
  • não ingerir água não tratada;
  • utilizar esterilizadores para a lavagem de verduras e legumes;
  • não se banhar em lagos, rios, cachoeiras e mares sem o conhecimento prévio das condições ambientais do local;
  • evitar contato com águas de enchentes e usar botas impermeáveis de cano longo em áreas alagadiças.