O uso da água no Brasil

Autor: 
Guilherme Sandler

Enquanto a maioria dos países do planeta vive problemas relativos a escassez da água, o Brasil está numa situação privilegiada em relação a disponibilidade hídrica do seu território: cerca de 17% da água doce superficial e aproximadamente 80% do aquífero Guaraní (maior reserva subterrânea do mundo) encontram-se em seu território.

Entretanto cerca de 60% da água superficial brasileira, principal fonte de abastecimento de água no país, encontra-se na região norte, a região menos habitada do país, enquanto outras regiões convivem com a escassez. É o caso da região semi-árida nordestina que sofre com as condições hidrológicas desfavoráveis e a apropriação desigual dos recursos hídricos, ou o caso da maioria das metrópoles e grandes cidades brasileiras, que preponderantemente situam-se em uma faixa que vai do litoral até 200 quilômetros interior adentro, onde situa-se a maioria da população brasileira.

Essas cidades, em sua grande maioria, convivem com a escassez de recursos hídricos devido ao desperdício da água potável, à poluição dos corpos d´água e ao manejo inadequado dos seus mananciais, apesar de disporem de situação hidrológica confortável.

O território brasileiro é dividido politicamente em 27 estados que formam uma federação, sobre a qual se sobrepõem 12 grandes regiões hidrográficas, são elas: Amazônica; Tocantins Araguaia; Atlântico NE Ocidental; Parnaíba; São Francisco; Atlântico Leste; Atlântico NE Oriental; Atlântico Leste; Atlântico Sudeste; Paraná; Paraguai; Uruguai e Atlântico Sul.

Abaixo estão as principais ameaças a essas regiões, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA).

Para se ter um panorama das áreas criticamente poluídas no Brasil, é extremamente importante somar os dados de poluição obtidos pelo estado a outras fontes bibliográficas, pois, em muitas regiões brasileiras, existem poucas estações de medição de qualidade da água.

Além disso, como pode se ver no mapa acima, uma das principais fontes de poluição do Brasil é a falta de tratamento de esgoto doméstico. E o problema é grave, já que, em 2004, apenas 48,8% dos domicílios brasileiros tinham acesso a rede de coleta de esgoto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, IBGE. Em algumas regiões como a Sul, a implantação de rede de esgoto não acompanhou o crescimento da população, como pode ser visto no gráfico abaixo.

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A indústria, também uma das principais poluidoras das bacias hidrográficas brasileiras, localiza-se principalmente nessas cidades situadas na faixa próxima ao litoral, adentrando bastante ao interior no sudeste, tendo também forte presença nas capitais estaduais localizadas continente adentro.

A demanda por água gerada pela indústria na faixa litorânea deve ser um empecilho para o crescimento industrial e econômico, principalmente no nordeste brasileiro, mas também no sudeste (seja por motivos naturais ou por uso irracional dos recursos existentes). Entretanto, o crescimento econômico brasileiro deve tornar insustentável o despejo de resíduos industriais no sudeste.

A ausência de números que comprovem diretamente a importância do esgoto industrial na poluição das águas brasileiras impossibilita uma análise precisa, porém, as dimensões da poluição industrial são delineadas pela participação da indústria na economia brasileira, que chega a mais de 37% do PIB nacional (CNI 2005).

Para se ter algum parâmetro do tratamento dos efluentes industriais no Brasil, a variação do tratamento dos resíduos industriais da bacia do rio Paraíba do Sul varia de 0 a 100% do total despejado conforme os diferentes setores industriais.

Apesar das recentes evoluções propiciadas pela implementação da administração de recursos hídricos baseada nos comitês de bacias hidrográficas, a escassez de recursos hídricos em locais onde há boa disponibilidade e a ausência de dados de tratamento de efluentes industriais, exemplifica a má administração dos recursos hidricos em território brasileiro.

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