Poluição e doenças no Brasil

Autor: 
Isabela Benseñor

poluição

Os jornais, no final de outubro de 2007, trouxeram informações sobre o processo judicial dos governos de São Paulo e Minas Gerais contra a Petrobrás. Motivo: a empresa estatal petrolífera se nega a reduzir a quantidade de enxofre no diesel. O enxofre pode se associar a doenças respiratórias. Ao mesmo tempo, assiste-se à polêmica sobre a queima da cana antes da colheita devido aos resíduos das folhas queimadas na atmosfera. Isso somente em um dia de leitura da imprensa paulista. Qual a razão para tamanha preocupação? Seria uma questão nova?

R$ 14 por segundo

Os custos da poluição foram mapeados fora das fronteiras de São Paulo. Estudo mostra que são gastos R$ 14 por segundo para tratar sequelas respiratórias e cardiovasculares da população.

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O problema não é novo, somente as condições de avaliação e a decisão em resolvê-lo é que são recentes. O monitoramento da qualidade do ar, com a avaliação das concentrações de poluentes no estado de São Paulo, iniciou-se na Grande São Paulo em 1972 com 14 estações para medição diária dos níveis de dióxido de enxofre e fumaça preta. Nove anos depois, a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) passou a utilizar novos equipamentos para detecção e medida de dióxido de enxofre, material particulado inalável, ozônio, óxidos de nitrogênio e monóxido de carbono. Segundo a Cetesb, “Os resultados do monitoramento passaram a ser acompanhados de hora em hora, em uma central que recebia as informações de todas as estações”. Como se viu, as determinações de poluição são recentes e os estudos são ainda mais novos, mas nada disso impede que várias medidas sejam tomadas para melhoria da qualidade do ar.

Por outro lado, já houve experiências de sucesso no controle da poluição em um local tido à época como o mais poluído do país: Cubatão. Relatos do início dos anos 80 mostraram 1.300 toneladas por dia de poluentes particulados e gasosos emitidos por fontes industriais naquela cidade da Baixada Santista.

Em 1983, foi criado o Programa de Controle de Poluição Atmosférica de Cubatão, que identificou 230 fontes primárias de poluição do ar. Em 2005, 207 dessas fontes estavam controladas. Com isso, houve redução de 98,8% das emissões identificadas em 1983, e os momentos de estados de alerta declinaram de 17, em 1984, para nenhum no período compreendido entre 1996 e 2005. Mas muitas perguntas ficam no ar (sem trocadilhos): há quanto tempo existe a poluição atmosférica? Será um fenômeno brasileiro e paulista? Há risco real de doença ou somente uma piora aparente do ar?