Como funciona a unidade da Carolina do Norte

Para entender mais como esses projetos de conservação são conduzidos, vamos conhecer alguns trabalhos da divisão da Carolina do Norte. De acordo com a diretora de comunicação Ida Lynch, a Carolina do Norte tem uma geografia diversificada, que vai de "áreas montanhosas, passando por florestas e até ilhas". A variedade de hábitats dentro dos 804 km de comprimento inclui:
  • montanhas pantanosas
  • rios de água escura
  • pradarias piemonte
  • savanas de pinheiros Longleaf
  • baías da Carolina
  • pântanos de madeira dura
  • florestas marítimas

A Carolina do Norte também tem:

  • a primeira população de lobos vermelhos reintroduzidos com sucesso no ambiente selvagem;
  • o maior número (51) de espécies de salamandras da América do Norte;
  • as árvores mais velhas do leste da América do Norte (cipreste calvo no Black River, com 1.700 anos de idade);
  • 95% das dionéias do mundo;
  • 32 espécies de plantas carnívoras;
  • 675 espécies de plantas raras;
  • 350 espécies de animais raros.
Fonte: Capítulo da Carolina do Norte da organização The Nature Conservancy

De acordo com Lynch, as áreas naturais da Carolina do Norte estão ameaçadas pelo desenvolvimento e poluição causados pelo homem. Em 1995, um relatório dos Defenders of Wildlife (defensores da vida selvagem) identificou alguns dos hábitats encontrados na Carolina do Norte como entre os ecossistemas mais prejudicados do país. A lista inclui a floresta dos Apalaches, a floresta e savana de pinheiros longleaf, pastos ao leste e comunidades costeiras.

Devido à poluição do ar, à destruição ou à alteração dos hábitats e à supressão pelo fogo, alguns dos pássaros mais coloridos da Carolina do Norte (o periquito da Carolina, o pombo passageiro e o pica-pau-bico-de-marfim) estão extintos. Outras espécies, incluindo o lobo, o bisão e o alce, foram extintas da Carolina do Norte, mas existem em outros lugares.

Apesar dessas perdas, a Carolina do Norte têm muitas histórias de conservação, de acordo com Lynch. Por exemplo:

  • desde que a Nature Conservancy começou a atuar na Carolina do Norte, em 1977, já protegeu mais de 460 mil acres de terra selvagem. A maior parte dessa terra foi adquirida de agências de conservação federais e estatais e hoje é pública;
  • a Nature Conservancy tem e/ou gerencia mais de 59 mil acres de áreas protegidas;
  • a organização The Nature Conservancy na Carolina do Norte trabalha com a Companhia The Timber para gerenciar 21 mil acres de floresta de madeira dura na parte baixa das planícies alagadas do rio Roanoke.

A organização recentemente ajudou o estado a adquirir a reserva Buckridge Coastal, com 17.734 acres, e o desfiladeiro Jocassee, com 9.750 acres.

A preservação da Carolina do Norte

A organização da Carolina do Norte, liderada pela diretora executiva Katherine Skinner, é totalmente financiada por seus 26 mil membros, doações da fundação e doações com dedução de taxas de indivíduos e corporações.

A organização trabalha com o programa estatal N.C Natural Heritage Program (programa de herança natural da Carolina do Norte) para identificar e criar um inventário de áreas e hábitats naturais únicos. O programa também garante a proteção de áreas baseado na informação coletada pelo Heritage Program.

De acordo com Lynch, geralmente o trabalho da organização se divide em duas categorias: preservação e projetos. A maioria das áreas de preservação só está aberta para visitação por um período e passeios com guias são anunciados na revista oficial dos membros, a North Carolina Afield. Os voluntários organizam esses passeios, e a agenda varia de acordo com a estação do ano. Algumas áreas de preservação não são abertas à visitação. As áreas Nags Head Woods Ecological Preserve e Grandfather Mountain são facilmente acessíveis e têm sistemas de trilha e centros de visitantes. Os rios Black e Roanoke podem ser explorados de barco.

A maior área de preservação do estado é a Green Swamp Preserve, com 15.907 acres. Em 1977, logo depois da fundação do braço estatal da Nature Conservancy na Carolina do Norte, 13.580 acres do Green Swamp (um patrimônio natural) foram doados à organização pela empresa Federal Paper Board. A empresa doou outros 2.577 acres nos anos 80 e a organização adquiriu ainda mais área depois.

Os especialistas dizem que a Green Swamp Preserve contém um dos melhores exemplos de savanas de pinheiros longleaf do país. Essas savanas abertas são especiais porque têm rica flora formada por orquídeas e plantas insetívoras (plantas que se alimentam de insetos). Cerca de 13 mil acres de área preservada, contudo, são formados por um denso pântano.

Foto cedida pela seção da organização The Nature Conservancy da Carolina do Norte
Sundew é uma das 14 espécies de plantas insetívoras encontradas no Green Swamp Preserve, na Carolina do Norte

A área de preservação Green Swamp contém pelo menos 14 espécies de plantas insetívoras, incluindo uma grande população de dionéias, sundew e quatro espécies de plantas carnívoras. Os cientistas dizem que os ciclos de vida de muitas plantas estão relacionados com o fogo. Por exemplo, os pinheiros soltam sementes quando expostos ao calor extremo. Para germinar e crescer, as sementes de pinheiros longleaf precisam de solo cru e muita luz do sol. Os especialistas dizem que esses são traços típicos de plantas que se desenvolveram em ambiente com constantes queimadas, causadas, geralmente, por relâmpagos. Por isso, a reintrodução científica de fogo nessas áreas é importante. As gramas, orquídeas e plantas insetívoras têm raízes que estão protegidas do fogo.

Entre os animais raros presentes nessa área, estão o crocodilo, o esquilo, o pardal Henslow, o pardal Bachman e a borboleta hairstreak Hessel. Uma das espécies mais raras que habita o pântano é o pica-pau de topete vermelho.

Um fato curioso é que esse pássaro cria ninhos em pinheiros longleaf com uma praga chamada "red heart". Os cientistas dizem que o pica-pau prefere essa árvore porque ele consegue criar mais facilmente uma cavidade no interior amolecido da árvore. A árvore é facilmente identificável em razão da resina grudenta e brilhante que se forma ao redor da cavidade e mantém os ovos do pássaro livres de predadores. O pássaro precisa de um a cinco anos para completar o ninho. "Já que eles fazem os ninhos em lugares tão específicos, proteger seu hábitat é fundamental para a preservação da espécie", diz Lynch.

A equipe de proteção do escritório de Wilmington gerencia a preservação da área. Os esforços incluem a instalação de caixas para os ninhos do pica-pau, queimadas controladas e restauração de plantações de pinheiros em savanas.

Um projeto da Carolina do Norte

Os projetos da Nature Conservancy são áreas que a organização adquiriu e depois transferiu para agências estaduais ou federais, como o Estado da Carolina do Norte, o U.S. Fish and Wildlife Service (Serviço de Peixes e Vida Selvagem Norte-americana) e a U.S. Forest Service (Serviço Florestal Norte-americano). De acordo com Lynch, a maioria dos projetos na Carolina do Norte é gerenciada como parques, áreas para jogos e refúgios.

Foto cedida pela organização The Nature Conservancy, pela seção da Carolina do Norte
A proteção da planície do rio Roanoke é um dos principais objetivos da organização The Nature Conservancy, seção da Carolina do Norte

Um projeto importante da organização na Carolina do Norte é a proteção de áreas naturais ao longo de 220 quilômetros do rio Roanoke, que abrange os condados de Bertie, Halifax, Martin, Northampton e Washington. De acordo com os dados coletados, a planície baixa do rio Roanoke é um dos cinco maiores ecossistemas fluviais no sudoeste e contém o maior ecossistema de florestas de madeira dura na região do Meio-Atlântico. Nessa planície existem:

  • diques naturais
  • pântanos
  • cordilheiras altas e baixas separadas por depressões.
  • canais de rios antigos

De acordo com Lynch, a planície tem uma grande quantidade de tipos de florestas: a seção central do rio é caracterizada por florestas aluviais e grandes pântanos, ao passo que a seção mais baixa do rio contém grandes extensões de ciprestes calvos e florestas aquáticas e pantanosas.

As florestas de pântano de Roanoke têm grandes quantidades de ursos-negros, lontras, cariacus e linces-pardos. A planície tem 214 espécies de pássaros, incluindo uma grande população de pato carolino e águia de cabeça branca e 44 espécies de aves migratórias neotropicais (pássaros que passam o inverno nos trópicos e procriam na América do Norte), como o Thraupini scarlet.

O projeto foi beneficiado pelo envolvimento de diversos grupos públicos e privados. A Union Camp Corp. doou 176 acres para a organização The Nature Conservancy, estabelecendo a área de preservação Camassia Slopes Preserve, em 1981. Em 1989, a organização comprou da empresa Georgia-Pacific Corp. 10.626 acres nos condados de Bertie e Martin para criar o Roanoke River National Wildlife Refuge e aumentar a área do Roanoke River Wetlands.

Em 1994, a Timber Co. e a organização entraram em acordo para gerenciar e proteger 21 mil acres no Roanoke. Trabalhando com parceiros, como os comissionários dos condados de Bertie e Martin, N.C. Wildlife Resources Commission (Comissão de Recursos de Vida Selvagem da Carolina do Norte), U.S. Fish and Wildlife Service (Serviço de Peixes e Vida Selvagem Norte-americana) e N.C. Wildlife Federation (Federação da Vida Selvagem da Carolina do Norte), a organização foi a principal responsável pela proteção de 51 mil acres na planície do rio, de acordo com Lynch.

Hoje, essa área ao longo do rio é uma área popular de recreação, para pesca, observação de aves, canoagem e passeios de caiaque. A organização, diversas universidades locais e grupos públicos e privados de conservação colaboraram para a criação de trilhas de camping e canoagem.