As tartarugas
 Imagem cedida pelo Projeto Tamar
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Presentes no planeta há mais de 150 milhões de anos, as tartarugas marinhas tem origem na terra mas se adaptaram de tal forma a viver no mar que desenvolveram nadadeiras no lugar das patas e uma inusitada capacidade de orientação, que as leva a se reunirem para a desova nas mesmas praias em que nasceram. São sete espécies conhecidas no mundo e cinco fazem uso das praias brasileiras: a Cabeçuda (
Caretta caretta), de Pente (
Eretmochelys imbricata), Verde (
Chelonia mydas), Oliva (
Lepidochelys olivacea) e de Couro (
Dermochelys coriacea).
Conheça algumas curiosidades dessas espécies
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a de Couro poder chegar a dois metros e até 750 quilos
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a de Pente é a mais ameaçada e desova na Bahia
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a Cabeçuda se alimenta de peixes, camarões e caramujos, desovando em vários estados
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a Verde só come algas e usa as ilhas de Fernando de Noronha, Atol das Rocas e Trindade
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a Oliva é a menor de todas, com cerca de 60 centímetros e está concentrada em Sergipe.
As fêmeas, que realizam de três a cinco desovas numa mesma temporada de reprodução (a cada dez dias), põem em média
120 ovos por ano entre os meses de setembro e março, mas há registros de ninhos com até 240 ovos. Inicialmente procuram praias desertas e esperam o anoitecer, já que a escuridão as protege de predadores e do calor da areia. Com as nadadeiras cavam um buraco para se sentarem e outro para o ninho, onde após depositar os ovos brancos e redondos voltam para o mar. Sessenta dias depois, os ovos rompem, as tartaruguinhas retiram a areia e correm para o mar, se orientando pela luminosidade do horizonte.
 Imagem cedida pelo Projeto Tamar
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Fora da época reprodutiva, esses seres curiosos podem migrar centenas ou milhares de quilômetros, viajando por todo o oceano e chegando a lugares tão distantes como Austrália, Golfo do México, Costa Rica ou o Mar Mediterrâneo, podendo dormir na superfície das águas. Sua fragilidade é notável mesmo na fase do nascimento, pois medindo apenas 5 centímetros e devendo alcançar o mar, os filhotes são devorados por siris, aves marinhas e, já na água, por povos e peixes.
Por isso, para cada 1 mil tartarugas nascidas, só uma ou duas viram adultas, quando poucos animais conseguem então ameaçá-las, a não ser o homem.
As principais pesquisas sobre esses animais tem buscado compreender sua enorme capacidade migratória, mas
o mecanismo de encontro de suas praias de origem são ainda um grande mistério. Já o Projeto Tamar tem investido na marcação e biometria das fêmeas: identificando o animal com um número individual e o endereço da sede nacional para notificação caso seja encontrada em outras regiões, para estudo do comportamento de desova e rotas migratórias. Há um cuidado especial para não incomodar as tartarugas durante a postura. Por fim, o manejo dos ninhos e filhotes se dá com a transferência de ninhos em locais de risco para trechos protegidos ou ‘cercados’ nas bases que simulam as condições naturais. Hoje, como resultado da educação ambiental do Tamar com as comunidades, a maioria dos ninhos está fora de perigo sem necessidade de transferência - o que é importante para não interferir na proporção de machos e fêmeas, determinados também pela temperatura da areia.
Tartarugueiros e adoção animal
Por serem carismáticas as tartarugas marinhas atraem cada vez mais
simpatizantes para sua proteção, beneficiando os ecossistemas e as
comunidades humanas que vivem nessas áreas. A proteção e o manejo das
tartarugas são feitos com 85% das pessoas moradoras das comunidades onde o Tamar mantém suas bases,
ou seja, propiciando melhoria da qualidade de vida com conservação, e
compensando as comunidades pela privação da caça e coleta.
Antigos
coletores de ovos de tartarugas e pescadores foram contratados como
tartarugueiros do projeto, e somando cerca de 400 pessoas, têm a função
de patrulhar as praias à noite à procura de ninhos de tartarugas. Cada
tartarugueiro percorre diariamente cerca de cinco quilômetros de praia,
observando os rastros dos animais e monitorando os ninhos. Eles já são
conhecidos também como os ‘amigos das tartarugas’ e sua contratação é
garantida por um outro programa, o ‘Adote uma tartaruga’. Neste caso, a
adoção simbólica com a doação de 100 reais à Fundação Pró-Tamar, com
direito à camiseta e certificado, financia o trabalho dos moradores e
também dos pescadores - estes parceiros responsáveis por mais da metade
dos registros de captura acidental.
Hoje, em quase todas as
comunidades onde o Tamar mantém bases é possível encontrar creches,
hortas comunitárias, assistência técnica à pesca, lojas, programas de
ecoturismo e de educação ambiental, confecção de roupas e de
artesanato. As confecções Tamar, por exemplo, foram inspiradas na
capacitação de esposas e filhas de pescadores, que não imaginavam o
quanto as camisetas se tornariam a principal forma de divulgação do
projeto e fonte indispensável de recursos para o programa de pesquisa. São cerca de 120 mil peças produzidas anualmente.  Imagem cedida pelo Projeto Tamar
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