Tremoço é usado para produzir alimentos pouco calóricos

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Editores do HowStuffWorks

Os alimentos devem ser deliciosos, saudáveis e produzidos de forma sustentável. Pesquisadores estão trabalhando em novos métodos de usar o o maior número de partes possíveis das plantas para nutrição. No futuro, ingredientes vegetais podem vir a susbstituir matérias-primas animais. Sementes de tremoço, por exemplo, podem ser usadas para produzir alimentos com baixo teor de gordura e outros produtos requintados.

Em países emergentes como a China e o Brasil, o consumo de carne está aumentando dramaticamente. Na verdade, o consumo de carne vermelha quadruplicou no mundo todo desde 1961. A questão é saber se o nosso planeta, com seus recursos limitados, ainda será capaz de satisfazer todas as nossas necessidades no futuro. Soluções possíveis para esse futuro problema são o tema do trabalho e estudo de Peter Eisner, do Instituto Fraunhofer para Engenharia de Processos, na Alemanha.

É preciso um monte de terra para produzir carne. “Produzir um quilo de carne consome entre sete e 16 kg de grãos de soja para ser usado como ração animal”, disse Eisner. “Como resultado, nos Estados Unidos cerca de 80% dos grãos vão para a alimentação do gado”. Em comparação à produção de carne, o cultivo de plantas como fonte de alimento é consideravelmente menos invasivo nessa questão de espaço e de terra. É preciso 40m2 de terra para produzir um quilo de carne, enquanto que nesse mesmo espaço podem ser produzidos 120 kg de cenouras ou 80 kg de maçãs. Como apontado pelo pesquisador: “as plantas são fonte de alimentos de alta qualidade, mas elas também podem fornecer matéria-prima para aplicações tecnológicas – e são uma fonte de energia”.

Ele demonstrou isso no caso de sementes do girassol: até agora elas foram usadas apenas para a produção de petróleo, e seus resíduos serviam como alimento de baixa qualidade para o gado.Como resultado, cerca de 2 acres e meio de terra poderiam gerar 950 euros. Se todos esses componentes forem processados e convertidos em matéria-prima de alta qualidade para a indústria de alimentos, comésticos e combustível, essa mesma porção de terra geraria algo perto de 1770 euros.

Ingredientes alimentares baseados em plantas devem desempenhar um importante papel como substitutos da matéria-prima derivada de animais. Eisner apresentou um “substituto do leite” feito de proteínas do tremoço e que pode servir de base para alimentos como sorvete e queijo. A proteína do tremoço não contém lactose, tem um sabor neutro, é livre de colasterol e rica em ácidos graxos poliinsaturados. Ela também é o ingrediente básico de uma nova proteína vegetal desenvolvida pela pesquisadora Daniela Sussmann. Um método especial de produção aplicado às sementes do tremoço rende uma proteína altamente viscosa e com uma consistência bem cremosa. “A estrutura microscópica deste produto assemelha-se às partículas de gordura da carne da salchicha. Por isso você pode usar isso para produzir produtos de salsicha com baixo teor de gordura que tenham o mesmo sabor dos originais”.

Uma vez que os produtos de salsicha e lingüiça estão entre os alimentos com os maiores níveis de gordura, isso certamente é um passo na direção certa. Em média, um alemão come 31 kg de produtos de salsicha por ano. O resultado: uma população acima do peso e com um alto índice de doenças cardiovasculares.  Se parte dessa gordura puder ser substituída por proteínas derivadas de plantas, todo mundo se beneficiará: os consumidores ao ingerirem menos gordura, os agricultores por terem seus gastos reduzidos, e o meio ambiente porque as plantas podem ser cultivas de forma mais sustentável do que a carne.

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Publicado em 04 de janeiro de 2011.