A reciclagem por plasma

A embalagem cartonada é utilizada em larga escala no Brasil. Até 2007, das cerca de 160 mil toneladas descartadas anualmente, apenas 25% eram direcionadas para um processo de reciclagem parcial, que separa o papel dos demais elementos (plástico e alumínio).


Hidrapulper em funcionamento

A separação do papel se dá pela introdução das embalagens em processador à base de água chamado hidrapulper - uma espécie de liquidificador gigante - que extrai o papel da embalagem em fibras. Estas fibras são direcionadas à indústria de reciclagem de papel, que as utiliza basicamente na produção de caixas de papelão.

Reciclagem de longa vida
Celso Monteiro
Depois de passar pelo hidrapulper, surge este material.


O material remanescente, plástico e alumínio grudados, em sua grande maioria era destinado a aterros sanitários, sendo apenas uma pequena parte aproveitado por fábricas de telhas que o utilizava como matéria-prima.

O que restou da embalagem de tetrapack
Celso Monteiro
Produto final da reciclagem de embalagem longa vida



A solução para a reciclagem da embalagem cartonada, à despeito de tudo o que já havia sido tentado, no entanto, estava incompleta. Foi então que, no ano de 2007, quatro empresas consorciadas inauguraram a primeira fábrica de reciclagem completa destas embalagens, na cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, utilizando a tecnologia do plasma.

Quarto estado da matéria

O plasma é um gás produzido em alta temperatura, com propriedades químicas que o diferencia dos demais estados de matéria (sólido, líquido e gasoso). Ele é parcialmente ionizado e possui modificações moleculares e atômicas. É comumente chamado de “quarto estado da matéria”.

O consórcio era formado pelas empresas TSL, de engenharia ambiental; Alcoa, produtora de alumínio; Klabin, produtora de papel, e Tetra Pak, fabricante de embalagens cartonadas.

Com investimentos da ordem de R$ 12 milhões - e sete anos de pesquisa e desenvolvimento - a capacidade de processamento da fábrica é de 8 mil toneladas de plástico e alumínio por ano, equivalente a cerca de 32 milhões de toneladas de embalagens longa vida (20% do total consumido no Brasil).

No processo de separação pelo plasma, o material remanescente da separação do papel da embalagem cartonada – o composto de plástico e alumínio – é introduzido em fardos dentro do reator de plasma térmico. Induzido pelo gás argônio, o plasma é lançado por uma tocha sobre o material por alguns poucos minutos a uma temperatura média de 15.000 °C.

As moléculas de plástico vão se quebrando em cadeias moleculares menores, evapora e condensa em uma outra câmara, na qual é retirada em forma de parafina, que é vendida para a indústria petroquímica.

O alumínio, por sua vez, é derretido pelo plasma e recuperado em lingotes (barras). A própria indústria de alumínio recompra o material e o emprega novamente em embalagens.
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