Introdução


florestas tropicais

É difícil não se impressionar com as florestas tropicais. Imensas e velhas árvores conhecidas como emergentes se estendem a alturas de quase 75 metros, atravessando a cobertura entrelaçada de folhas que abriga e protege mais de metade das espécies do mundo. Ainda que as florestas tropicais contenham cerca de metade das árvores do planeta, elas só recobrem 7% da superfície da Terra [fonte: UNEP (em inglês)]. No Brasil, a Amazônia é a maior representante da floresta tropical, além da Mata Atlântica que vem sendo destruída sistematicamente ao longo dos anos.

A despeito da importância das florestas tropicais, as práticas de desmatamento continuam. Ainda que o termo possa se aplicar a causas naturais como os incêndios florestais, ele é normalmente vinculado a atividades humanas, como exploração madeireira, agricultura e mineração - todas importantes para a nossa economia, apesar de algumas vezes feitas de maneira ilegal como, por exemplo, com a grilagem de terras. Mas, ao privar a terra desses recursos, devemos aceitar as conseqüências de nossas ações. Derrubar florestas tropicais aumenta a probabilidade de erosão do solo, deslizamentos de terra e inundações. Também reduz a biodiversidade e os recursos médicos. Mais de 25% da medicina moderna deriva de plantas originárias das florestas tropicais, e apenas 1% das plantas que elas abrigam foram estudadas para potencial uso medicinal [fonte: Harris]. O desflorestamento também destrói as terras de povos indígenas e afeta o modo de vida de milhões de outras pessoas, muitas das quais vivem nas regiões mais pobres do mundo.

The Amazon Rainforest
Philippe Bourseiller/The Image Bank/Getty Images
Porções intocadas da Amazônia, como esta na Guiana Francesa, oferecem abrigo a múltiplas formas de vida

Em um esforço para contrabalançar essa destruição, campanhas de conservação vêm florescendo em todo o mundo. Entre elas estão projetos de reflorestamento, cujo objetivo é elevar a proporção de árvores vivas e conectar fisicamente as florestas remanescentes, a fim de combater a perda de habitats e prevenir a extinção de espécies. Além do mais, o reflorestamento ajuda a equilibrar o ciclo do carbono e amenizar os problemas do aquecimento global oriundo da emissão de dióxido de carbono na atmosfera, segundo vários cientistas.

Existem desafios gigantescos que esses projetos precisarão enfrentar. Primeiro, as florestas tropicais estão repletas de árvores imensas e antigas; não se trata de mudas que se possa comprar em uma estufa próxima. Boa parte da ação no ecossistema da floresta tropical acontece nas altitudes superiores do ambiente, o que pode apresentar problemas para o reflorestamento, já que cultivar árvores altas pode levar décadas. Em segundo lugar, as árvores das florestas tropicais dependem estreitamente de seus colegas de evolução - a flora e a fauna que as circundam - para criar as delicadas condições necessárias à sustentação de funções como os ciclos de nutrientes e polinização.

Assim, embora as florestas tropicais possam fornecer um habitat nutritivo para a vida, o sucesso desse habitat depende de um frágil equilíbrio entre fatores ecológicos. Se você remover as árvores, haverá sérios problemas. Mas se as bactérias do solo e outros microorganismos que dissolvem a matéria orgânica rica em nutrientes que cai no piso da floresta também forem eliminados, a floresta tropical terminará destruída. Caso os insetos e pássaros que agem como agentes de polinização se extinguirem, a vida será destruída.

Seremos capazes de imitar a natureza e criar um ambiente harmonioso para substituir àquele que destruímos? Leia a próxima página para descobrir.