Será que devemos arregaçar as mangas, apanhar uma pá e começar a cavar para replantar as florestas tropicais? Até certo ponto podemos fazê-lo. Mas, embora os esforços de reflorestamento tenham valor significativo, eles não são tão cruciais quanto a preservação das florestas tropicais existentes em modelos como os das unidades de conservação ou as reservas particulares do patrimônio natural. A conservação da floresta tropical é tão importante quanto o reflorestamento de outras áreas.

O reflorestamento pode ser realizado pela natureza, por seres humanos ou por uma combinação dos dois. Alguns esforços de reflorestamento se concentram em promover o rápido crescimento de florestas, porque essas regiões são essenciais para muitos dos ciclos naturais da Terra, como o do carbono e o da água. Replantar terras desflorestadas com árvores de crescimento rápido como o eucalipto ou a acácia australiana pode ajudar a resolver problemas imediatos como o da erosão do solo e o dos níveis elevados de carbono emitidos para a atmosfera. No Brasil, as plantações de eucalipto e pinho são comuns entre as empresas de celulose, grande exportadoras.

No entanto, árvores exóticas, como o eucalipto, podem tornar a terra inadequada para futuro cultivo de florestas tropicais por alterar as características originais do solo. Os cientistas precisam estudar situações individuais a fim de determinar o tipo de impacto que cada espécie externa terá sobre a vida microbiana da região, e quais são as escolhas mais apropriadas de reflorestamento. Uma nota positiva é que florestas secundárias de rápido crescimento e áreas de cultivo de árvores podem substituir as florestas primárias como fonte para as necessidades agrícolas e energéticas. Uma floresta primária é basicamente aquela que não foi alterada pelos seres humanos e que teve baixa perturbação ecológica. Existem diversos outros nomes para as florestas primárias, como por exemplo crescimento primevo e floresta primeva. Uma floresta secundária é aquela que foi recultivada depois de um evento destrutivo, como um incêndio ou exploração madeireira. As florestas primárias em geral oferecem nível mais elevado de biodiversidade que as secundárias, o que é parte do motivo para que os preservacionistas estejam tentando salvar as florestas primevas [fonte: Butler (em inglês)].
Em áreas de desflorestamento severo, os trechos restantes de florestas primárias muitas vezes ficam bem distantes de outras florestas tropicais sobreviventes ou de regiões reflorestadas. Isso torna difícil a sobrevivência de animais e a recolonização, bem como a polinização cruzada de plantas, e pode impedir os esforços para manter a ecologia real das florestas tropicais. Ainda que trechos de terra vegetativa possam ampliar a chance de sobrevivência de algumas espécies em curto prazo, os pesquisadores dizem que elas provavelmente estão condenadas à extinção, em longo prazo.
Também é importante reflorestar e ampliar áreas adjacentes aos trechos remanescentes de florestas. Isso oferece às espécies uma maneira fácil de habitar novos territórios e expande a ecologia viável das florestas tropicais.
Os pesquisadores estão estudando diversas opções para melhorar e facilitar os esforços de reflorestamento. Um método inventivo envolve morcegos. Instalar ninhos artificiais de morcegos em áreas desflorestadas pode ajudar esses mamíferos voadores singulares (como o morcego raposa voador) a espalhar sementes e a começar o processo de regeneração da floresta tropical. Atividades como a instalação de ninhos de morcegos são exemplos de como as pessoas podem participar de esforços de reflorestamento.
O reflorestamento está ganhando impulso em todo o mundo. Para compreender melhor os esforços mundiais de reflorestamento, vá à próxima pagina.