Depois que recolhemos e transportamos o dióxido de carbono (CO2), precisaremos de um lugar para colocá-lo. Mas onde? Um gigantesco depósito de armazenagem? Um grande tanque no deserto? Precisaremos de ainda mais aterros sanitários para reter nossos resíduos em forma de CO2?
Não se preocupe. A resposta a todas essas perguntas é "não". Existem dois lugares onde se pode armazenar CO2 - sob a terra e sob a água. De fato, estimativas projetam que o planeta tenha capacidade de armazenar até 10 trilhões de toneladas de dióxido de carbono. Isso permitiria 100 anos de armazenagem de todas as emissões de origem humana [fonte: Science Daily (em inglês)] - ainda que devamos sobreviver por muito mais tempo que isso, evidentemente.

Primeiro falaremos sobre armazenagem subterrânea. A pressão encontrada em grandes profundidades faz com que o CO2 se comporte mais como líquido do que como gás. Como poderia vazar para frestas em rochas porosas, grande volume de CO2 poderia ser armazenado em área relativamente pequena. A armazenagem subterrânea, também conhecida como isolamento geológico, já está em uso pelos setores de petróleo e gás natural a fim de obter o máximo possível de petróleo e gás natural de depósitos esgotados. Os reservatórios de gás e de petróleo são bem adequados à armazenagem de CO2 porque consistem em camadas de formações de rochas porosas que vêm aprisionando petróleo e gás natural há anos. O isolamento geológico envolve injetar CO2 em formações subterrâneas de rochas abaixo da superfície da Terra. Esses reservatórios naturais contam com uma cobertura rochosa que serve como vedação e que mantêm o gás isolado. No entanto, a armazenagem subterrânea pode envolver riscos (discutiremos o assunto mais adiante).
As formações de basalto (rocha vulcânica) também parecem apropriadas para a armazenagem de CO2. O basalto é um dos tipos de rochas mais comuns na crosta da Terra - até mesmo o piso do oceano é feito de basalto [fonte: USGS (em inglês)]. Pesquisadores constataram que quando injetam o CO2 no basalto, ele termina por se transformar em pedra calcária, ou seja, essencialmente se transforma em rocha. O Pacific Northwest National Laboratory, no Estado de Washington, tem uma equipe envolvida em um projeto-piloto para testar a armazenagem de carbono no basalto [fonte: MSNBC (em inglês)].
Outro projeto, chamado CO2 Sink, está testando o isolamento geológico em um local perto de Berlim, Alemanha. O projeto, iniciado em 2004, planeja criar um padrão para a injeção de CO2. Depois de injetar CO2 em um reservatório de arenito, os cientistas estudarão ativamente a área para determinar sua integridade em longo prazo e as preocupações quanto a vazamentos e ao movimento do CO2 dentro do reservatório [fonte: CO2Sink (em inglês)]. Além disso, o campo de gás natural Sleipner, ao largo da costa da Noruega, vem injetando dióxido de carbono no piso do mar desde 1996 [fonte: Solomon (em inglês)].
Além da armazenagem subterrânea, também estamos considerando o oceano como local de armazenagem permanente para o CO2. Alguns especialistas alegam que podemos despejar CO2 com segurança diretamente no oceano - desde que o façamos em profundidades maiores que 3,5 mil metros. Nessas profundidades, eles acreditam que o CO2 se comprimirá na forma de um material lodoso que cairá no fundo do oceano. A armazenagem de carbono no oceano praticamente não foi testada e existem muitas preocupações quanto à segurança da vida marinha e à possibilidade de que o dióxido de carbono venha encontrar uma maneira de retornar ao meio ambiente no futuro (para mais informações sobre esse tópico, leia Podemos enterrar o CO2 no oceano?).
A seguir, estudaremos algumas dessas preocupações de maneira mais detalhada e determinaremos se a captura e armazenagem de carbono é uma solução viável para o nosso futuro.
Uma outra opção para armazenar o excedente de dióxido de carbono consiste, estranhamente, no bicarbonato de sódio. Uma empresa chamada SkyMine já está operando o sistema. |