Ainda que a captura e a armazenagem de carbono pareçam uma solução miraculosa, não deixam de causar preocupações e controvérsias. Para começar, é importante lembrar que a captura e a armazenagem de carbono (CCS) não é uma licença para continuar a emitir CO2 na atmosfera. Precisamos usar a CCS para reforçar outros esforços de redução de emissões. Mas a técnica oferece uma maneira de limpar usinas de energia existentes.
Os oponentes da CCS acreditam que, embora o método possa ser viável, o foco está completamente errado. Argumentam que deveríamos estar desenvolvendo maneiras de abandonar o uso de combustíveis fósseis, em vez de dedicar tempo e dinheiro a formas de continuar a usá-los. De acordo com o grupo ambiental Greenpeace, o uso generalizado de sistemas CCS nem mesmo será possível até pelo menos 2030.

Outro problema é que as atuais tecnologias de CCS na verdade requerem grande consumo de energia - até 40% da capacidade de uma usina [fonte: Greenpeace (em inglês)]. Além disso, se transportarmos o CO2 capturado em caminhões ou navios, esses veículos requererão combustível. E a queima de combustíveis fósseis é exatamente o que causou as dificuldades que estamos enfrentando.
Criar uma usina de energia com sistema CCS também requer muito dinheiro. Por exemplo, os Estados Unidos têm um projeto CCS em preparação. A FutureGen espera construir a primeira usina de energia com emissão zero. O objetivo é criar uma usina de energia acionada a carvão que armazene as emissões de carbono no subsolo. A usina forneceria energia a 150 mil residências e geraria 275 megawatts de eletricidade [fonte: FutureGen (em inglês)]. Parcerias privadas e verbas federais ajudam a bancar o projeto. Mas o presidente Bush suspendeu a participação do governo quando os custos do projeto ultrapassaram US$ 1,8 bilhão. O governo já tinha investido US$ 50 milhões quando decidiu abandonar a idéia [fonte: Wald (em inglês)]. A FutureGen continua a buscar capital público e privado para o projeto.
A maior preocupação quanto à CCS, porém, é o risco ambiental. O que acontece se houver vazamentos subterrâneos de CO2? Não há como responder a essa pergunta, pois o processo é tão novo que se desconhece seus efeitos de longo prazo. Os proponentes da idéia apontam, porém, que o campo de gás de Sleipner, que está em operação há mais de 10 anos, não apresentou qualquer vazamento detectável.
E se o dióxido de carbono vazar no oceano? Quanto a isso dispomos de algum conhecimento. Em 1986, uma erupção natural de dióxido de carbono em um lago, em Camarões matou quase duas mil pessoas. Elas morreram asfixiadas porque estavam próximas ao ponto em que o CO2 aflorou. No entanto, os números não levam em conta a perda de vida de animais aquáticos que habitavam o lago [fonte: BBC (em inglês)].
Outro efeito do excesso de CO2 na água é elevar a acidez. O oceano absorve CO2 da atmosfera - um fenômeno conhecido como escoamento de carbono. Os cientistas descobriram recentemente que os oceanos não vêm absorvendo tanto CO2 quanto no passado. O Oceano Antártico, especialmente, deixou de absorver tanto dióxido de carbono. O CO2 excedente das emissões humanas parece ficar na superfície do oceano, em vez de afundar. Quanto mais CO2 a superfície de um oceano absorve, mais ácido ele se torna [fonte: Rincon (em inglês)] e maior acidez na água afeta a vida marinha. Por exemplo, isso reduz a quantidade do vital carbonato de cálcio de que criaturas marinhas precisam para produzir suas cascas ou conchas.
Restam ainda muitas questões sobre a capacidade da captura e da armazenagem de carbono para aliviar o efeito-estufa e desacelerar as alterações climáticas. Mas uma coisa é certa: as emissões de dióxido de carbono são problema em todo o mundo.
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Outro avanço promissor em CCS envolve capturar CO2 direto da atmosfera, em vez de em usinas de energia. Isso significa que o CO2 poderia ser capturado mais perto da área de armazenagem e, assim, não requereria o uso de sistemas de transporte. O criador dessa tecnologia, Klaus Lackner, inspirou-se em um trabalho escolar de ciências de sua filha. Ela queria determinar se era possível deputar CO2 do ar e, usando uma bomba de aquário e uma solução de hidróxido de cálcio e hidróxido de sódio, conseguiu fazê-lo. Lackner decidiu tentar a mesma experiência em larga escala. No ano passado, apresentou um protótipo operacional. Espera ter uma versão comercial pronta dentro de quatro anos. Ele vê seus depuradores de dióxido de carbono como grandes árvores sintéticas, enfeitando a paisagem como moinhos de vento [fonte: Meisel (em inglês)]. |