As sacolinhas de plástico “ecologicamente corretas”?

Existe uma polêmica em relação ao emprego dos plásticos oxi-biodegradáveis (também chamados de “ecologicamente corretos”) em sacolinhas plásticas. Muitos supermercados e lojas têm adotado estas sacolinhas, informando a seus clientes que as mesmas são “verdes” ou “ecologicamente corretas”. Mas até que ponto os plásticos oxi-biodegradáveis são ecologicamente corretos?

Os oxi-biodegradáveis são, à primeira vista, plásticos idênticos aos comuns. O diferencial, no entanto, está na sua composição molecular, a qual é adicionado um aditivo químico de sal (cerca de 1 ou 2%), que acelera seu processo natural de biodegradação – de 400 para 24 meses.

O processo é relativamente simples: o aditivo químico reage com o oxigênio existente na atmosfera (daí o termo oxi-biodegradável), agindo diretamente nas ligações de carbono do material, fazendo com que o mesmo se fragmente rapidamente, catalisando seu processo de biodegradação natural. O que naturalmente levaria centenas de anos pode ocorrer em até menos de 12 meses.

Se o único problema ambiental do plástico fosse o seu tempo de biodegradação natural, a afirmação de que os oxi-biodegradáveis são plásticos ecologicamente corretos estaria correta. Mas o buraco é mais embaixo.

A oxi-biodegradação ocorre apenas em condições ambientais específicas - deve haver, no mínimo, presença de oxigênio para reagir com o aditivo químico. Estas condições, no entanto, nem sempre ocorrem em lixões ou aterros sanitários. A característica de rápida biodegradação é totalmente anulada, persistindo os problemas de acúmulo de lixo e “plastificação do solo”. Esses dados estão no laudo da Association of Plastics Manufacturers - Plastics Europe.

Não podemos esquecer, também, de um outro problema ambiental inerente aos plásticos: a matéria-prima para sua produção é o petróleo, um insumo não-renovável. Contra este mal, a única alternativa é o bioplástico (plástico produzido de biomassa). Este tipo plástico, por sua vez, está economicamente acessível a pouquíssimos mercados, já que seu alto custo custo de produção inviabiliza seu emprego em massa nas embalagens de bens de consumo.

Queda de braço

O município de São Paulo foi palco de um episódio pitoresco, em meados de 2007, quando o prefeito da capital paulista vetou um projeto de lei que propunha a adoção obrigatória de sacolinhas de plástico oxi-degradáveis na cidade. A prefeitura alegou, como razões para o veto, a falta de esclarecimentos técnico sobre os benefícios ambientais efetivos dos "plásticos oxi-bios".

Eventos semelhantes ocorreram em outras capitais e municípios do País. Em algumas localidades, a decisão acompanhou a de São Paulo, em outros, a decisão foi favorável aos oxi-biodegradáveis.

Não é seguro afirmar, com certeza, que o plástico oxi-biodegradável é realmente "ecologicamente correto". O fato é que o material ainda é recente, sequer existe uma normatização internacional para seu uso.