As dioxinas e os furanos

Dioxinas

As dioxinas são subprodutos de muitos processos industriais principalmente a combustão, nos quais o cloro e produtos químicos dele derivados são produzidos, utilizados e eliminados. As emissões industriais de dioxina para o meio-ambiente podem ser transportadas a longas distâncias por correntes atmosféricas e, de forma menos importante, pelas correntes dos rios e dos mares.

O termo dioxinas é a denominação comumente usada para a classe química conhecida como dibenzo-p-dioxinas policlorados (PCDDs) e dibenzofuranos policlorados (PCDFs).


Estrutura molecular do tetraclorodibenzo-dioxina

O congênere (membro do grupo) mais tóxico destes produtos químicos é o 2,3,7,8 tetraclorodibenzo-p-dioxina (TCDD). Essa substância foi à mesma constituinte do agente laranja corresponde a um dos mais intensos venenos existentes usados como herbicidas. O conflito do Vietnã teve seu fim em 1975, mas seus vestígios pela contaminação ainda hoje perduram.

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A poluição do agente-laranja

Milhões de galões da substância foram despejados pelos Estados Unidos no Vietnã entre o ano de 1962 e 1970. O objetivo dessa tática de guerra era desfolhar a floresta e, assim, evidenciar esconderijos dos guerrilheiros vietnamitas. Os efeitos contaminantes persistentes após desfolhar a floresta eram incalculáveis, no entanto, a dioxina se espalhava pela cadeia alimentar atingindo o homem - o que geraria mais tarde inúmeros defeitos genéticos em crianças recém nascidas.

Veteranos de guerra, que foram expostos às "nuvens químicas" durante o conflito, muitos eram fazendeiros que viviam da terra que foi atingida pelo herbicida. O agente laranja também atingiu uma segunda e uma terceira geração, afetadas pela exposição sofrida por seus pais.

No Vietnã, existem hoje 150 mil crianças, cujos defeitos de nascença, segundo a Cruz Vermelha vietnamita, podem ser atribuídos à exposição ao agente laranja que seus pais sofreram durante a guerra, pelo consumo de alimento ou água contaminada por dioxina.

Estima-se que três milhões de vietnamitas foram expostos ao agente químico durante a guerra e que, destes, 1 milhão enfrentam hoje sérios problemas de saúde devido à exposição que provocou mutações genéticas em seu DNA.

As dioxinas estão presentes no mundo de forma bastante difusa. Estima-se que, mesmo que a produção cesse hoje completamente, os níveis ambientais levarão mais de 30 anos para diminuir. Isto ocorre porque as dioxinas são persistentes, levam de anos a séculos para serem degradadas e podem ser continuamente recicladas no meio-ambiente. Nos últimos 50 anos, o súbito aumento na emissão de dioxinas parece estar relacionado a fontes industriais, coincidindo com o aumento de produção industrial de substâncias com base em cloro desde os anos quarenta.

Veja alguns ramos industriais que utilizam cloro em seus processos e emitem dioxinas:

  • Indústrias de fertilizantes e pesticidas;
  • Geração de energia, através da combustão principalmente de carvão e gás natural;
  • Combustão de lixo domestico contendo carvão;
  • Fundição, refino e processamento de metais;
  • Industria de papel e celulose;
  • Fábricas de tintas;
  • Fornos de cimento a carvão;
  • Refinarias de petróleo;

Veja outras formas de emissão de dioxinas no ambiente:

  • Incineradores de lixo hospitalar;
  • Combustão de pneus;
  • Fumaça de cigarro;
  • Crematórios;
  • Usinas de asfalto;
  • Fabrica de velas;

Furanos

Os furanos são um grupo químico composto por organoclorados conhecidos comercialmente por policlorodibenzo-furanos (PCDF). Sua estrutura básica é constituída por dois anéis aromáticos unidos por um átomo de oxigênio, com diferentes graus de substituição por átomos de cloro. O que determina a toxicidade da molécula de furano é o grau de cloração dos anéis e a posição dos átomos de cloro.

Essas moléculas compartilham muitas características com as dioxinas, como, por exemplo, sua toxicidade, atividade fisiológica em doses extremamente pequenas (microgramas), persistentes, não se degrada facilmente podendo durar mais de 30 anos no ambiente, dependendo da dose eliminada. São bioacumuladores em tecido adiposo dos seres vivos, aumentando sua concentração progressivamente ao longo das cadeias alimentares.

Moléculas de furano podem ser carreadas por grandes distâncias pelas massas de ar atmosféricas, correntes marinhas ou de água doce e por animais migratórios como é o caso das baleias, de aves e animais exóticos introduzidos como é o caso do mexilhão dourado (molusco de origem asiática que acidentalmente chegou até o Brasil pela água de lastro de navios).


Estrutura molecular do tetraclorodibenzo-furano

Produção de cloreto de polivinila (PVC), pesticidas a base de cloro, produtos farmacêuticos, fabricação e branqueamento de polpa e papel, fabricação de tintas são outras fontes de liberação de furanos.

As vias de absorção mais comuns são a pele, sistema respiratório e aparelho digestivo. Não se dispõe de muitos dados científicos específicos disponíveis sobre os furanos, mas em geral, a absorção é maior quando são ingeridos do que quando em contato com a pele, e transpassa a barreira placentária provocando ma formação em fetos.

Uma vez absorvido pelo organismo dos seres vivos se acumulam por diversos tecidos principalmente adiposo e fígado em quantidades mais altas, e em quantidades menores podem ser encontradas na pele e nos músculos. A concentração de furanos nos tecidos varia de acordo com a quantidade de gordura presente no organismo, sendo esta dependente da via de absorção, duração e freqüência da exposição.

O metabolismo desta substância é estudado em animais de laboratório, incluindo peixes, verificando que a velocidade de eliminação é lenta e varia de espécie para espécie, mas a via de eliminação comum para todas elas são os rins. A vida média de permanência de furanos em humanos é entre um a dois anos, variando conforme a exposição e re-contaminação.

Os efeitos adversos para a saúde são pouco estudados, sabendo-se muito pouco sobre eles, no entanto, os casos estudados foram provocados acidentalmente pelo contato por inalação, via cutânea ou pela ingestão de alimentos contaminados, tendo este último proporcionado níveis de contaminação muito mais altos dessa substância em animais e seres humanos, do que os outros.

No meio ambiente, os incêndios acidentais ou naturais, derramamentos de substâncias policloradas, combustão envolvendo substâncias cloradas são os principais fontes de eliminação destas substâncias.

Alguns critérios de segurança são adotados por indústrias que utilizam substâncias a base de cloro, são eles:

  • Em caso de incêndio, utilizar pó, água pulverizada, espuma, dióxido de carbono.
  • Em derramamentos evacuar a área, usar traje de proteção química e equipamento respiratório, consultar um especialista.
  • O armazenamento deve ser feito longe de alimentos.
Não há antídoto específico para o furano, deve-se tratar as partes afetadas e os sintomas apresentados. Em caso de contaminação acidental por:

  • Inalação - deve-se remover a vítima da área de exposição e administrar oxigênio;
  • Pele - retirar a roupa se afetada, lavar a região afetada em abundância, usando sabão e água;
  • Olhos - lavar com água corrente;
  • Ingestão - administrar carvão ativado, induzir o vômito nos primeiro minutos de contaminação;
­Todos esses procedimentos devem ser realizados por pessoas treinadas e as pessoas expostas devem ser encaminhadas rapidamente ao hospital para cuidados médicos;