Metais pesados

Autor: 
Eduardo Evangelista

Os metais pesados, também conhecidos como elementos traço, são os elementos químicos que não são encontrados naturalmente em nenhum organismo vivo. São eles: chumbo, mercúrio, cádmio, cromo, arsênio entre outros. Estes não deveriam existir em nenhum grau de concentração em organismos vivos e quando estão presentes são prejudiciais aos próprios e aos que deles se alimentam.

Os metais pesados não podem ser destruídos e são altamente reativos do ponto de vista químico, o que explica a dificuldade de encontrá-los em estado puro na natureza. Normalmente apresentam-se em concentrações muito pequenas, associados a outros elementos químicos, formando minerais em rochas. Quando lançados no meio ambiente como resíduos industriais podem ser absorvidos pelos tecidos animais e vegetais contaminando os ecossistemas terrestres e aquáticos.

Por meio dos rios, mais cedo ou mais tarde, os metais pesados chegam até o ambiente marinho, onde reagindo com a água salgada parte desses poluentes sedimenta-se no leito desse ecossistema, representando um estoque permanente de contaminação para a fauna e flora aquática, onde populações que dependem da pesca acabam se contaminando.

Saiba algumas das principais fontes desses metais:

  • Indústrias metalúrgicas, de tintas, de cloro e de plástico PVC (cloreto de polivinila).
  • Incineradores de lixo urbano e industrial, que provocam a sua volatilização e formam cinzas ricas em metais, principalmente mercúrio, chumbo e cádmio.
  • Garimpo de aluvião, método que usa mercúrio para descoberta e retirada do ouro
  • Indústrias de pilhas e baterias que usam chumbo na composição dos produtos
  • Indústria bélica
  • Galvanoplastia

Contaminação por mercúrio - o caso Minamata

Minamata, Japão ano de 1956, dia 1º de maio, quatro pacientes dão entrada em um centro de saúde pública de Kimamoto, apresentando disfunções do sistema nervoso. Neste ano foi estruturado um comitê especialmente voltado a investigar a doença, até então de causa desconhecida. Esta data ficou oficialmente conhecida como a data da descoberta do chamado Mal de Minamata que está relacionada com a doença cerebral causada pela ingestão de mercúrio.

No mesmo ano cerca de 56 pessoas com sintomas semelhantes foram investigadas e constatou-se que os sintomas eram causados pela contaminação por mercúrio. A investigação mostrou que moradores das vizinhanças da Baía de Minamata, cujas dietas eram centralizadas em consumo de peixes e frutos do mar (bioacumuladores), tinham encontrado cristais de mercúrio nos efluentes liberados pela indústria química Chisso.

O mercúrio era despejado em um rio que desaguava no mar, de onde os moradores retiravam a principal fonte de alimentos das comunidades da região. A fauna marinha foi intoxicada e, através da alimentação, o metal altamente tóxico chegou ao homem. As mortes e doenças conseqüentes da contaminação por mercúrio em Minamata são um exemplo de como a ação tóxica dos metais pesados pode entrar na cadeia alimentar do homem e provocar sua intoxicação.

­Os despejos de resíduos industriais são as principais fontes de contaminação das águas dos rios com metais pesados. Indústrias metalúrgicas, de tintas, de cloro e de plástico PVC (cloreto de polivinila), entre outras, utilizam mercúrio e diversos metais em suas linhas de produção e acabam lançando parte deles nos cursos de água.

Outra fonte importante de contaminação do ambiente por metais pesados são os incineradores de lixo urbano e industrial, que provocam a sua volatilização e formam cinzas ricas em metais. Desta maneira, fica evidente que comunidades que residem próximas as industrias ou incineradores correm maiores riscos de contaminação, como foi o caso das crianças que nasceram sem cérebro em Cubatão em São Paulo.